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Resenha: Beyond The Shrouded Horizon (2011)

Álbum de Steve Hackett

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Um dos álbuns mais versáteis da carreira de Steve Hackett

Autor: Tiago Meneses

18/04/2020

Em Beyond The Shrouded Horizon Steve Hackett oferece treze músicas multicamadas, então tudo é bastante diversificado quanto deveríamos esperar de um músico tão prolífico. Como também costuma ser os discos do guitarrista, ele não deve ser consumido de maneira despretensiosa ou de passagem, até porque seria quase impossível uma boa absorção, o disco precisa mesmo é de uma atenção total para pode obter o melhor que ele tem a oferecer. 

“Loch Lomond” é a música que inicia essa belíssima jornada. De certa forma ela me lembra algo do disco Spectral Mornings em termos de nuances e texturas, mesmo que não exista necessariamente elementos que copiem discos anteriores. Não tem como achar que seja uma espécie de “Every Day”, até mesmo por ser mais suave. Lembra também “The Sleepes” do álbum Defector de 1980. Há um excelente preenchimento de guitarra e mesmo os vocais de Hackett que não costuma ganhar muitos elogios, aqui se mistura muito bem com a música. 

“The Phoenix Flown” segue em uma linha que parece a faixa anterior, mostrando muito bem o estilo de guitarrista que é Hackett junto a alguns segmentos uivantes. Mesmo que seja uma simples e curta faixa instrumental, consegue satisfazer qualquer admirador do guitarrista. 

“Wanderlust” é basicamente um preenchimento de violão que nos faz lembrarmos “Horizons”, como quase sempre acontece quando o guitarrista tem ideia de fazer uma música assim. “Til These Eyes” quando começa acho meio impossível que o ouvinte não se lembre de “Dust in the Wind”. Bastante suave, um belíssimo violão e vocais de Hackett muito bem direcionados apoiado por uma excelente seção de cordas. É daquele tipo de música que é a cara guitarrista. 

“Prairie Angel” começa lindamente com um trabalho de guitarra de Hackett. A música então flui em um ritmo lento e quando entra o interlúdio, há uma parte mais pesada com um ótimo riff de guitarra, enquanto a música vai se movendo cada vez mais rápido. O final já serve também como uma abertura para a faixa seguinte. 

“A Place Called Freedom” começa com o violão que sacramentou o final da faixa anterior e uma linha vocal bastante suave. Aqui há uma grande exploração de Hackett em relação ao violão e seção rítmica vocal. “Between The Sunset An The Coconut Palms” me faz lembrar novamente algo do disco Defector, é uma música bacana, mas a que menos empolga no disco. 

“Waking To Life” apesar de conter componentes típicos encontrados na música de Hackett, também é fácil perceber algo realmente diferente. Possui um estilo de música oriental com vocal feminino . Eu acho que Hackett é brilhante ao fazer essa faixa, pois demonstra algo único que se concentra mais nos elementos tradicionais à medida que a música flui. O solo da guitarra ainda está mostrando seu estilo, ele toca de uma maneira suave e inventiva. A música tem alta energia, especialmente por conta das batidas e grooves. Minha música preferida do disco? Muito provavelmente. 

“Two Faces Of Cairo” apresenta uma representação de música com nuances do Oriente Médio, algo já indicado no seu título. A parte de abertura que tem um trabalho de bateria atmosférica define o tom da música muito bem. A seguir, há o solo do teclado que replica o estilo da música oriental, seguido brilhantemente pelo solo da guitarra de Hackett, enquanto o estilo da bateria permanece intacto. Mais uma faixa matadora. 

“Looking For Fantasy” começa com um trabalho de teclado atmosférico seguido por uma linha vocal e bom preenchimento de guitarra e sutil piano ao fundo. Daquelas músicas que se transformam em “outra” quando ouvidas em bons fones de ouvido. 

“Summer's Breath” é uma bela e simples – mas não tanto - faixa acústica que faz uma boa ligação para a faixa seguinte. “Catwalk” mostra Steve Hackett soando em uma pegada mais de blues rock. Mais uma excelente faixa muito bem conduzida pelo guitarrista que a toca brilhantemente. 

“Turn This Island Earth” é a faixa que finaliza o disco de forma incrível. Abre com a mesma nuance do álbum Darktown, como um estilo meio atmosférico e assombroso, combinando efeitos sonoros do teclado e um violão maravilhoso. A música se move de uma forma crescente e assim ela permanece, principalmente na parte do interlúdio. Guitarra e bateria soam muito bem e as cordas de fundo energizam mais a faixa. Quase perto dos oito minutos, tudo fica suave, essa parte é realmente um segmento muito agradável e flui serenamente com uma melodia ótima que é aumentada com uma sonoridade atmosférica, incluindo teclado e seção de cordas ao fundo. Uma música maravilhosa. 

Resumidamente esse disco é aquilo que Hackett sempre mostrou em sua carreira, ou seja, uma grande capacidade de olhar pra trás sem deixar de olhar pra trás enquanto avança constantemente.  Beyond The Shrouded Horizon se sai muito bem do começo ao fim, quase como uma jornada espiritual de proporções terrenas.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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