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Resenha: Ten (1991)

Álbum de Pearl Jam

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A primeira pérola do grunge!

Autor: Márcio Chagas

17/04/2020

O primeiro disco do grupo se confunde com sua própria história, quando o guitarrista Stone Gossard e o baixista Jeff Ament voltaram a tocar juntos depois de passarem por uma infinidade de bandas semi-profissionais até esbarrarem com uma tragédia que os poriam fora de combate: A morte por overdose de Andrew Wood, vocalista da banda Mother Love Bone, que ambos integravam.

A dupla se reuniu tempos depois incentivada por Mike McCready, outro guitarrista e amigo de ambos. O trio se juntou a Matt Cameron e gravaram algumas demos instrumentais que chamou a atenção de um tal de Eddie Vedder, musico de San Diego que escreveu algumas letras para as canções.

Gossard a Ament curtiram o trabalho de Vedder e juntos foram para Seattle gravar novas demos ao lado de McCready e do baterista Dave Krusen. A empatia entre todos os integrante foi total e Eddie compôs 11 musicas em apenas uma semana.

O grupo se reuniu no London Bridge Studio para gravação do primeiro disco ao lado do produtor Rick Parashar, que duraram apenas três meses. O curto período de gravações se deu tanto pelo fato do grupo já ter levado muitas canções praticamente prontas, quanto pelo fato de terem privilegiado um som mais despojado e intuitivo.

A sonoridade conseguida ajudaria a definir os rumos do grunge: um som pesado, com influência direta do rock setentista, pitadas de musica alternativa e progressiva, aliada a guitarras pesadas e com timbragem “suja”, que combinavam com as letras melancólicas de Vedder, que falavam sobre, depressão, suicídio, solidão, problemas psiquiátricos e outras obscuridades da alma humana.

Apesar do vocalista escrever praticamente todas as letras, é interessante perceber que inicialmente o grupo não girava em torno de Eddie Vedder, tendo sua condução comandada pelos fundadores Gossard e Ament. Tal fato deixou a sonoridade mais homogênica, dando ao disco uma unidade característica de banda democrática.

Os três singles lançados com o álbum também podem ser considerados destaques: São eles: ‘Alive”, uma das melhores do disco, com uma letra super biográfica de Vedder sobre seu pai; “Even Flow”, com seu andamento cadenciado e sua letra sobre a vida dos sem-teto nos EUA; E a nebulosa “Jeremy”, canção escrita pelo baixista Ament, e letra de Vedder inspirada em um jovem que se matou na frente dos colegas: “Jeremy falou na aula hoje / Tente esquecer isto / Tente apagar isto / Do quadro negro”. Mais lúgubre impossível;

Alem dos singles, merece ainda menção a balada “Black”, que chegou a fazer razoável sucesso nas rádios e fala das agruras de um coração partido. Interessante nesta canção foi a opção de Gossard e McCready em utilizar timbres mais limpos para a guitarra; A quase progressiva “Oceans” com aquela atmosfera influenciada pelos primeiros trabalhos do Pink Floyd e Porcupine Tree; e ainda a “Deep”, pra mim a síntese do grunge, com guitarras urgentes à frente, bateria quase punk e pesada ao fundo e os vocais passionais à frente.

Uma curiosidade: Logo ao fim das gravações o baterista Deve Krusen deixa a banda por problemas com alcoolismo, indo diretamente para a reabilitação. O músico foi substituído por Dave Abbruzzese, que gravaria o álbum seguinte e permaneceria com o grupo até 1994.

“Ten” chegou as lojas em agosto de 1991 e foi um daqueles álbuns que não estouraram de cara, mas foram vendidos paulatinamente a medida que o grupo excursionava e se tornava conhecido, sendo o oitavo álbum mais vendido nos EUA em 1993, dois anos após seu lançamento!

Historicamente, o álbum ajudou a consolidar o rock alternativo e despojado, bem como foi uma das pedras fundamentais do nascimento do grunge, se tornando um clássico nos dias de hoje.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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