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Resenha: Apostrophe (') (1974)

Álbum de Frank Zappa

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O melhor entre os seus discos mais acessíveis

Autor: Tiago Meneses

17/04/2020

Seguindo o sucesso que foi seu disco anterior, Over-Nite Sensation, o próximo álbum de Frank Zappa, Apostrophe (‘), seria o seu álbum mais vendido. A realidade é que nessa época, Frank Zappa estava tentando tornar a sua música mais acessível, sendo assim ele adicionou mais humor, mais letras e mais batidas comerciais, enquanto claro, mantinha parte da sua complexidade trivial. No entanto, onde Over-Nite Sensation não tinha faixas completamente instrumentais, Apostrophe (‘) teria uma, a faixa título. Não creio que exista muita coisa - além disto - que distinga os dois, mas Apostrophe (‘) é um passo definitivo adiante e mais interessante e mais variedade. 

A banda aqui é mais ou menos a mesma do disco anterior. De fato, a maior parte do primeiro lado de Apostrophe (“) foi criada durante as mesmas sessões. O disco foi criado a partir de material escrito durante um período de 2 anos, então a formação da banda muda um pouco através das faixas. Sempre gosto de salientar que na minha opinião essa foi uma das formações mais talentosas que Zappa teve ao seu lado, com Ruth Underwood, Jean Luc-Ponty e até Tina Turner fazendo os vocais de fundo. Jack Bruce também ajuda na faixa-título.

“Don't Eat The Yellow Snow” é a faixa que dá início ao disco. Uma música que foi inspirada em uma situação em que Zappa viu um cachorro fazer xixi no ônibus da banda. A maioria das pessoas enxerga essa música com um olhar óbvio, ou seja, uma música bem humorada simples, curta e doce, mas na realidade ela também é o movimento inicial de uma suíte mais longa, sendo mais específico, esta suíte é composta pelas quatro primeiras músicas do álbum. “Nanook Rubs It” é uma música mais longa e dramática sobre um encontro com um caçador de peles. A sua pegada blueseira e uso de metais é excelente, assim como as pinceladas de guitarra que colocam vigor em cada uma das suas poderosas invertidas. “St. Alfonzo's Pancake Breakfast” coloca o disco em um ritmo mais acelerado novamente, essa música foi inspirada em um comercial da Imperial Margarine (Margarina Imperial). “Father O'Blivion” é a última parte da suíte, ou melhor dizendo, teria uma outra parte dessa suíte que é chamada de “Rollo” só que não entrou no disco. É uma música onde o tema originalmente é sobre um cachorro que vê o seu dono copular, mas as letras foram praticamente abandonadas quando se decidiu que eram muito vulgares para o disco, sendo que depois disso foi completamente deixada de fora do álbum, exceto pelo riff que serve como introdução para “St. Alfonzo's...”. 

“Cosmik Debris” é uma música independente do primeiro lado do disco. É sobre um vendedor ambulante tentando vender parafernálias psicodélicas. Frank Zappa o hipnotiza e rouba todas as suas coisas e sopra a mente do vendedor ambulante. Há referências ao álbum anterior, que indica que os dois álbuns fazem parte da uma teoria de Frank Zappa de que sua música é contínua. A música tem uma espécie de vibração misteriosa, refletindo o tópico das letras e é aprimorada com a excepcional reprodução de xilofone de Ruth Underwood.

“Excentrifugal Forz” abre o segundo lado do disco. Uma faixa com cerca de um minuto e meio. Não sei exatamente o que Zappa quer passar aqui, mas parece ser uma opinião sarcástica sobre a psicodelia e drogas. Uma boa música, mas sem muitos atrativos. 

“Apostrophe (‘) é uma das minhas músicas instrumentais preferidas de Frank Zappa. O incrível baixo dessa faixa é uma cortesia de Jack Bruce e segundo palavras do próprio Zappa, Bruce estava fazendo isso em uma jam session. Uma música incrível e de um peso  maravilhoso. 

“Uncle Remus” é uma música construída em um ritmo intermediário que expressa o sentimento de Frank Zappa em relação a insultos raciais. Muitos já pensaram que essa música tenha sido escrita por George Duke, mas verdade elas foram escritas por Zappa tendo logo em seguida gravada também por Duke. 

“Stink-Foot” é um verdadeiro clássico de Zappa e que finaliza o disco de maneira brilhante. Não tem muito sentido, sendo baseada em um comercial de spray de pé do Dr. Scholls. Zappa fornece um excelente solo de guitarra. Eu apenas acho que ela desaparece muito rápido, mas ainda assim, um excelente final de disco. 

Considero este um disco essencial em uma discografia básica de Frank Zappa. Possui desde o seu senso de humor até algumas de suas mais bem direcionadas seções instrumentais. Não possui muito de jazz ou um estilo clássico, além de que a muito pouco de música de vanguarda, por isso também é considerado o melhor entre os seus discos mais acessíveis. Uma das melhores portas de entrada ao universo musical de Frank Zappa.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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