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Resenha: Slip Of The Tongue (1989)

Álbum de Whitesnake

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O ciclo fechado

Autor: Fábio Arthur

16/04/2020

Temos aqui o disco que traz o ciclo fechado de uma época em que o Whitesnake ainda era favorito. O que ocorreu é que, em seu oitavo disco, a banda mudou sua direção nas estruturas musicais. Ao invés de trazerem o lado clássico do trabalho "1987", aceleraram para um Hard mais afoito e dotado de técnica absoluta. 

O ponto positivo dessa fase foi o naipe de músicos: Steve Vai, Adrian Vanderberg, Rudy Sarzo, Tomy Aldridge e o próprio Coverdale, que estava ainda em uma fase boa para cantar. 

O álbum infelizmente não vendeu, não agradou a crítica e os fãs. A banda já havia perdido o pessoal da era Bluesy e, com "Slip of the Tongue", acabou por enterrar de vez alguma chance de remoção com essa parcela de fãs. 

A banda traz um som bem composto, riffs e melodias e bateria são perfeitas. Aliás, chegamos ao que David queria: uma banda dotada de músicos excepcionais e que fossem tão bons que tocariam qualquer coisa. 

Entre produção de Keith Olsen e o casting musical perfeito, o grupo destila seu som de forma ambiciosa e já na abertura a coisa pega, num vocal bem Robert Plant e batidas Hard. E assim o disco segue com a mesma intensa pegada; bumbos duplos e melodia exemplar. 

Três singles, em torno de quatro vídeos para MTV e quase 50 minutos de baladas, Hard e Glam e seus afins. E também uma regravação para "Fool for your Loving", que agradou em partes, pois modificaram seu balanço e estrutura em demasia. 

A importante ressaltar que Adrian gravou em algumas partes apenas. Foi creditado, mas por problemas de ordem física, acabou deixando algum trabalho de fora e voltou na tour. 

"Judgement Day" é ótima, carregada em nível estrutural e de uma aura bem peculiar. Outra em questão que faz jus ao disco seria a canção "Now You"re Gone". A banda carrega nesse disco uma versão modernizada de si mesma, muito acima da média, mas enfim, não era o grupo dos anos passados e fechava um ciclo aqui. Um outro ponto seria a arte de capa, que traz algo na linha do antecessor e, a partir daqui, todos os discos teriam a mesma temática, apenas mudando as cores. 

Gosto do disco em partes, com algumas ressalvas. Acredito que ao vivo seria bem mais interessante do que no estúdio. Aliás, o DVD da tour saiu alguns anos atrás e comprova isso.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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