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Resenha: Pyre Of The Black Heart (2020)

Álbum de Marko Hietala

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O Metal finlandês sendo bem representado

Por: Vitor Sobreira

14/04/2020

Mesmo em meio aos processos de gravação, produção e promoção do novo álbum do Nightwish, Marco Hietala arrumou um jeito de trabalhar em suas próprias composições e então finalizar o seu álbum solo. Em primeira mão, o trabalho saiu em sua língua pátria, no ano passado, para em seguida sair em janeiro deste ano na versão em inglês, que foi apresentada como ‘Pyre of the Black Heart’.

Para o ouvinte que sente falta do Tarot, é bem provável que busque aconchego em algumas melodias e passagens, durante as dez composições do álbum, e isso não tem nada de errado, desde que se tenha em mente que aqui o músico quis explorar diferentes elementos e sonoridades, e que é de fato seu trabalho solo. E ponto. Mas, de toda maneira, é bom deixar de lado as duas bandas já citadas, que têm relação com o cara do baixo e dos vocais.

Grafado como Marko Hietala, o trabalho que leva o nome de seu criador já começa bem a partir da arte de capa, que mesmo sendo simples, é sombria e muito bonita. Depois do lado gráfico, felizmente o musical não deixa por menos, se iniciando com a forte “Stones”. Suas primeiras características não passam em branco, com dedilhados de violão e a voz de Marco (aqui no meu texto, escreverei da maneira original, com a letra “c” mesmo), sempre em ótima forma e com boas melodias que devem brotar do fundo de seu coração. A faixa apresenta sim um agradável peso e até mesmo alguma pompa de teor épico, mas não estamos falando de levadas ardilosas de Metal, distorções no talo e demais coisas, pois ainda que tenhamos muito do estilo aqui, o mesmo foi usado de uma outra forma, que ao você ouvir, entenderá.

Ainda em andamento contido, “The Voice of My Father” explora diferentes elementos do seu instrumental, como notas melodiosas de guitarra e efeitos de teclados. Só mais uma coisa: a frase que nomeia a faixa não sairá mais da sua cabeça, graças à profunda e cativante melodia vocal.

Deixando só um pouquinho o sentimentalismo de lado, “Star, Sand and Shadow” é uma viagem Progressiva ao espaço sideral com sua introdução de teclado que mais remete a um Ayreon ou até mesmo a um Arcturus. O teclado continua com outros efeitos, daqui e dali, acompanhando um refrão com linhas vocais meio malucas e quase étnicas, para lá de empolgantes! Para os incrédulos, deixo um recado: se até aqui você não se sentiu atraído pela curiosa musicalidade dos finlandeses, então vá procurar outro disco para conhecer!

“Dead God’s Son” apresenta outra performance surpreendente dos músicos, com toda sua sensibilidade e atenção aos detalhes, o que é importante em qualquer composição decente, juntamente com o belo trabalho de produção. Uma certa aura de melancolia paira sobre a canção e um solo de guitarra bem executado, recolhem a oferta do dia.

Nunca se é tarde para apresentações, então por isso sinta-se a disposição de Tuomas Wäinölä (guitarra), Anssi Nykänen (bateria) e Vili Ollila (teclados), que certamente foram as melhores escolhas do senhor Hietala. Chega de papo e vamos voltar ao tracklist com a relativamente longa “For You”, que se estende sem pressa e de forma intimista, sem deixar a inspiração se esvair e que no fim deságua nos mares do Progressivo, novamente.

Dois minutos se escorrerão pela ampulheta da vida, até que riffs gordos e lentos sirvam de base para colocar um fim a monotonia que insiste em nos pegar desprevenidos em “I’m the Way”, que poderia ter sido substituída por outra faixa de andamento mais rápido, como a seguinte “Runner of the Railways”. Apesar da peteca não cair em momento algum, vamos ser honestos em afirmar que esse negócio de muita cadência, uma hora começa a torrar a paciência!

Como dito sobre a outra faixa, logo damos graças pela pegada um pouco mais animada e que ousou a chegar perto do Folk. Nesse ponto, senti a falta de mais peso e riffs enérgicos, para acompanhar as melodias dançantes. Alguém disse velocidade? Tem um pouco também, não se preocupem!

Um baixo bem captado dá a tônica em “Death March for Freedom”, a faixa leva alguns instantes para crescer em força e ritmo, ancorando em um dos melhores refrões do trabalho – daqueles para cantar junto mesmo. Em “I Dream” as coisas demoram a acontecer, exigindo um pouco de paciência, justamente na reta final. A ressalva fica pela parte mais Metal, que me lembrou bastante o Tarot dos últimos álbuns. Por fim, a semi-acústica “Truth Shall Set You Free” faz as honras com um encerramento climático e de tirar o fôlego, que felizmente soa como um presente.

Cá chegamos ao final de mais uma audição, e ainda me pergunto o motivo de não ter ouvido este trabalho assim que foi lançado… Por isso, não cometa esse erro você também e ouça o quanto antes!

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