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Resenha: Ready To Strike (1985)

Álbum de King Kobra

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O primeiro ataque do King Kobra

Autor: Johnny Paul

22/10/2017

"Ready To Strike" com certeza é um dos discos mais injustiçados no meio daquela leva de bandas que faziam a cara do Hard Rock americano e que enchia caminhões de dinheiro no decorrer da lucrativa década de 80. Pois bem, o debut do King Kobra poderia ser, com carinho, revisto de verdade. Não há como negar que o som que o King Kobra solta nesse trabalho é de uma qualidade inegável.
A história vem do início dos anos 80, quando Carmine Appice já esboçava o caminho a ser trilhado a partir de então e o que a nova década poderia oferecer com tantas mudanças ocorrendo em questão de pouco tempo. O plano finalmente saiu do papel quando o baterista, este que já passou por bandas como Vanilla Fudge e Cactus, além de trabalhos com Rod Stewart, se mandou da banda solo de Ozzy Osbourne no meio da turnê que promovia Bark at the Moon em 1983. Carmine Appice montou o King Kobra com um anúncio em que dizia "Precisa-se de músicos jovens e com cabelos descoloridos". Os então desconhecidos Mark Free (vocais), David Michael-Philips e Mick Sweda (guitarras) e Johnny Rod (baixo) fecharam o time para mandarem a sonhada bola no ângulo e começarem a fazer dinheiro com a crescente onda Glam Metal.
Ready to Strike foi inteiramente gravado durante o ano de 1984 e lançado pela Capitol Records em 1985. A crítica caiu em cima; parte do público agarrou o som da banda. O King Kobra passava a ser boicotado e deixado de lado por grandes veículos. Mas qual o real motivo, sendo que o álbum é tão bom quanto muitos trabalhos lançados no mesmo período? Tenho uma análise, e também é o que sai como conclusão de muitos bate-papos que tive em mesas de bar: Carmine Appice sempre foi um baterista de Blues e Jazz respeitado em qualquer canto da esfera terrestre, tendo em seu currículo grandes feitos dentro da história da música, emprestando seu talento para vários artistas e, de repente, aparece com um projeto com o intuito de fazer grana, somado ao fato de estar ao lado de quatro caras com cabelos descoloridos a la poodle e fazendo biquinhos em fotos de promoção. De primeiro momento, ninguém entendeu ao certo. Mas o que podemos sim entender é que Ready to Strike carrega um aura particular em sua formação sólida, em um feeling musical Hard Rocker e que põe um pé no Heavy Metal, tudo isso somado à cativante produção. A faixa-título, Hunger (diz a lenda que essa composição foi antes rejeitada pelo Toni Iommi para incluir no set do Black Sabbath), Shadow Rider, Dancing With Desire, Second Thoughts, Piece of the Rock, a rápida Breakin' Out e excelente e emocionante Tough Guys (com seu solo de arrepiar!) são compostas de uma beleza ímpar dentro do mercado Glam que emergia no cenário, podendo bater de frente com qualquer banda do estilo. E Mark Free? Um destaque! Canta como ninguém e soltou uma bela voz para Ready to Strike, o que se perdeu nos trabalhos posteriores dentro e fora do King Kobra.

Se você gosta de Glam Metal tocado com precisão e qualidade, vai gostar de Ready to Strike, o debut rejeitado de Carmine Appice & Cia. 

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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