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Resenha: Levin, Minnemann, Rudess (2013)

Álbum de Levin, Minnemann, Rudess

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A estreia dos três mosqueteiros!

Autor: Márcio Chagas

07/04/2020

Este projeto começou de uma colaboração despretensiosa entre o baixista Tony Levin (king Crimson, Peter Gabriel e outros) e o baterista Marco Minnermann (Kreator, The Sea Within, Joe Satriani e outros), que sendo multi-instrumentista, em estúdio cuidou também das linhas de guitarras. 

Após comporem alguns temas, a dupla sentiu falta de tecladista que pudesse complementar os arranjos complexos criados por eles. Levin se lembrou de seu antigo parceiro do Liquid Tension Experiment Jordan Rudess (Que também comanda as teclas do Dream Theater), e enviou para ele algumas demos. A elaboração efetiva dos temas começou desse modo.

Tendo em sua formação metade do citado Liquid Tension, fica difícil desvincular a musica do trio ao antigo grupo de Rudess e Levin. Porém, embora ambos ofereçam ao ouvinte musica instrumental elaborada e técnica com enormes variações de andamentos, este projeto é mais calcado em canções e menos no improviso que o primeiro. Os temas são mais elaborados e pensados, com uma estrutura harmônica definida. 

Outra diferença é que os teclados assumem um papel muito maior nos solos, deixando a guitarra como coadjuvante. Não que ela não apareça, ao contrario, Marco mostra que é bom de riffs quando necessário. Mas talvez por não existir um guitarrista no projeto, a guitarra não era pensada como primeiro instrumento para os solos.

São 14 temas completamente instrumentais, com destaque para “Frumius Broderfunk”, com um excelente duelo entre a guitarra de Marco e os teclados de Jordan; “Mew”, com andamento sincopado com Jordan utilizando sons de sintetizadores similares aos usados por Frank Zappa e seu grupo nos anos 70/80; 

‘Service Engine”, o maior tema, com duração de mais de 8 minutos que encerra o álbum e tem um certa influência de industrial nos riffs logo na entrada, mas que se desenvolve em uma direção completamente diferente, com grandes solos de teclados e uma boa dose de improviso dos trios, além de  intervenções de guitarra mais progressiva;  e ainda “Scrod” cujo andamento sincopado lembra alguns temas do King Crimson; 

“Levin, Minnemann, Rudess” o álbum, é um disco mais maduro e equilibrado, sem tanto peso de guitarras e doses exageradas de improviso para que o ouvinte de rock, desacostumado com a liberdade do jazz, não se perca ou se desinteresse.

O disco foi produzido por Tony Levin e Scott Schorr (Alan White, David Torn) e lançado em setembro de 2013. O resultado foi positivo por parte de crítica e público, o que motivou o trio a se reunir novamente em 2016 lançando o segundo álbum “From The Law Offices Of”.
 

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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