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Resenha: Stupid Dream (1999)

Álbum de Porcupine Tree

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Um disco de equilíbrio entre emoção, acessibilidade e complexidade

Por: Tiago Meneses

04/04/2020

Esse álbum já é um pouco diferente em relação aos discos anteriores, quando pegamos o fato de que o orçamento para desenvolvê-lo foi muito maior, permitindo, por exemplo, que a banda pudesse passar um tempo maior no estúdio para se concentrar nas músicas. Com esse orçamento maior, até uma orquestra foi trazida para dar ao álbum um som mais rico e pomposo. Apesar do disco anterior, Signify, ser um álbum de transição, Stupid Dream confirma a transição de obras improvisadas psicodélicas/espaciais para músicas mais concisas, que seriam mais acessíveis e se concentrariam mais nas habilidades de composição de Steven Wilson, assim como também em suas habilidades de instrumentação para assim manter as coisas interessantes. 

“Even Less” começa o disco de maneira quase silenciosa, com apenas umas vozes – risos – de fundo. Então que a música segue por alguns segundos com um riff de guitarra muito bem equilibrado, depois disso, temos uma demonstração de faixa poderosa e significativa, podendo ser uma espécie de hino do hard rock feito pela Porcupine Tree. 

“Piano Lessons” é daqueles tipos de música que mostra um pouco do chamado espírito “direto” e que talvez seja o tipo que algumas pessoas não gostaram. No entanto, a música é muito bem executada e que levanta o astral, além de ter um trabalho de guitarra digno de destaque. 

“Supid Dream” apesar de ser a faixa título, é apenas uma vinheta espacial que serve como prelúdio para a faixa seguinte. “Pure Narcotic” é uma balada que eu acho maravilhosa e sempre que a escuto sinto a vontade de tocá-la também. Acústica, de certa forma sombria, mas edificante. Os vocais de Wilson também são ótimos. 

“Slave Called Shiver” mistura um som bastante forte de baixo com um piano alternado, bons arranjos de bateria e fortes riffs de guitarra. Pra quem quiser completar o combo dessa ótima criação, preste atenção nas letras, pois elas também são notáveis e valem a pena. 

“Don't Hate Me” é a faixa mais longa do disco e eu acho uma peça bastante adorável e melancólica na medida ideal. Os vocais de Wilson soam às vezes em tom de quem está implorando algo de uma maneira maravilhosa. Bastante atmosférica, a música é cheia de sonoridade espacial que lembram as que o Pink Floyd sempre fez muito bem. Resumindo, uma música belíssima. 

“This Is No Rehearsal” é uma música que não tem como não mencionar a sua letra que a deixa engraçada, onde o tema é sobre uma mulher que tem o hábito de perder seus filhos no shopping (ou algo assim). Mas tem um bom violão em ritmo médio e um arranjo bastante agradável, sendo no final substituído por um ritmo mais rápido e um pouco mais pesado. 

“Baby Dream In Cellophane” é uma música bastante atmosférica, sutil e deliciosamente boa de ouvir. O violão é quem lidera a harmonia, os vocais de Wilson em alguns momentos estão me lembrando a Simon & Garfunkel, me desculpem não saber a voz de quem, mas de qualquer maneira isso mostra o quando Wilson é um grande vocalista. 

“Stranger By The Minute” é um dos melhores momentos do disco. Começa com um riff simples, mas depois é seguido por umas texturas mais complexas. Os momentos em que Wilson tem a companhia do baterista Chris Maitland nos vocais é ótimo, inclusive, Wilson novamente canta maravilhosamente bem nessa música. O trabalho de guitarra que inclui slide é muito criativo. É o tipo de som que faz você cantar junto a partir da segunda audição.

“A Smart Kid” a princípio lembra um pouco de “Don’t Hate Me” no ritmo e humor. Começa em um tom baixo e anunciando que estaremos diante de mais uma música calma, sensível e elegante. Novamente com ótimo trabalho de violão. Quando fica mais enérgica, também fica mais atmosférica. Linda música. 

“Tinto Brass” traz alguns climas psicodélicos que de certa forma faltou no disco e que estava mais presenta nos álbuns anteriores. Começa com elementos psicodélicos já conhecidos e depois adentrado em um hard rock – ao estilo Porcupine –  destacado principalmente pela guitarra. Theo Travis completa muito bem a música fornecendo um excelente trabalho de flauta e saxofone, enquanto que a guitarra espacial e marca registrada de Wilson novamente desempenha um papel importante.

“Stop Swimming” é a faixa que fecha o disco e que não tem nada a ser dito que não tenha sido dito em algum momento nessa resenha. Não se destaca e nem deixa a desejar, uma balada cantada tipicamente ao melhor estilo Steve Wilson. Tudo é bem direcionado e combina excelentemente como uma despedida, ou melhor dizendo, um até logo para o próximo álbum. 

No fim das contas esse álbum é maravilhoso, mas que também pode ser encarado como repetitivo, algo que eu não discordaria, mas ainda assim o colocaria como um disco excelente. Um disco de equilíbrio entre emoção, acessibilidade e complexidade.

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