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Resenha: Adam & Eve (2004)

Álbum de The Flower Kings

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O disco é muito bom, mas de uma música menos aventureira e mais pé no chão

Por: Tiago Meneses

03/04/2020

Adam & Eve não estaria exatamente nas minhas primeiras opções de discos pra indicar a alguém que queira entrar no mundo da The Flower Kings. Mas eu faria isso por não achar esse um bom disco? Não, ele é sim um disco muito bom, mas devo admitir que ele não me satisfez logo de cara, as coisas aconteceram um pouco mais devagar. 

Aqui eles estavam retornando de certa forma ao progressivo sinfônico mais direto, como fizeram nos seus primeiros discos sem usar, por exemplo, as tendências jazzísticas encontrada em discos anteriores como Space Revolver (2000) e Unfold The Future (2002). Para alguns fãs na época e que me incluo no meio, teve certo desapontamento, esperava algo melhor ou ao menos naquela mesma pegada agradável do  Unfold The Future. Assim como aconteceu em Spacer Revolver, esse álbum também contém dez músicas, algo que torna bem maior a chance de ser um trabalho consistente, tanto que foi exatamente isso que ocorreu, mesmo com alguns poréns aqui e outros ali. 

A capa do álbum é bastante marcante e instigante. A evidencia é aparente na capa para que todos a vejam, a mordida no fruto proibido está brilhante e literalmente une o casal pecador. Adão parece um ser que está em uma dieta constante de esteroides, uma espécie de neandertal "moderno", enquanto que a bela Eva é apenas uma mulher loira e magra. Uma parte da bíblia tocada por uma ótima banda de rock progressivo. 

“Love Supreme” começa o disco de uma maneira que não poderia ser melhor. Um épico de quase vinte minutos, de certa forma tem alguma semelhança em “The Truth Will Set You Free” por causa da introdução de percussão e algumas melodias, mas como eu já disse anteriormente, as influências jazzísticas não se encontra aqui. Love Supreme tem uma sensação muito acústica em quase toda a música, possui uma excelente composição e musicalidade. Não vou entrar em detalhe sobre os seus pontos mais interessantes, mas pra dizer o mínimo, se trata de um épico suave, divertido, bem direcionado e que veio de certa forma definir bem toda a parte do humor apresentada no restante do disco. 

“Cosmic Circus”, é uma faixa relativamente curta. Uma música muito boa e que flui naturalmente, bons vocais e uma linha de bateria que eu gosto bastante. Música simples, silenciosa e acessível. “Babylon” também é uma música mais curta, baseada principalmente em teclado e uma forte linha de baixo e uma guitarra suave durante o interlúdio. 

“A Vampires View” é uma música que ainda tenho a esperança que um dia eu venha a gostar. É extremamente teatral, o que não seria problema, mas a maneira como as coisas acontecem aqui pra ser sincero soam meio ridículas. Ela não flui muito bem e tudo parece um tanto aleatório. Daniel Gildenlöw (Pain of Salvation) que canta como convidado poderia ter feito um trabalho ótimo, mas o excesso de dramaticidade não ficou legal. Mas pra ser justo também, os trabalhos de órgão são muito bons. 

“Days Gone By” é a faixa mais curta do disco com pouco mais de um minuto. Uma pequena a suave pausa ao piano para seguirmos em frente agora com a faixa título. “Adam & Eve” começa de maneira atmosférica com um maravilhoso trabalho de sintetizador e mellotron, mas logo em seguida explode e se transforma em um dos momentos mais pesados do álbum. Mesmo existindo o fato de a maneira como é cantada não me agrade muito, há um trabalho coeso dos instrumentos que fazem essa faixa valer a pena. 

“Starlight Man” é mais uma música simples e delicada. Os vocais de Stolt nessa música estão bastante orientados para a linha dos do Jon Anderson. O violão é a linha de baixo são excelentes. "Timelines” começa de maneira pesada e selvagem, podendo ser um pouco difícil de absorver no começo, a influência em King Crimson é evidente, sendo misturada com excelentes harmonias vocais. Não é ruim, mas não carrega grandes atrativos. 

“Drivers Seat” é o outro épico do disco e tem quase dezenove minutos. Não tem a mesma força apresentada em “Love Supreme”, mas também é muito boa e cheia de partes interessantes e algumas transições densas. Passei a apreciar mais essa faixa através de gosto adquirido, ela foi crescendo em mim e me fazendo encará-la cada vez com uma simpatia maior Uma música no fim das contas, edificante, poderosa, complexa e quase sempre muito bem direcionada com bons solos de guitarra, teclados que preenchem o ambiente com eficácia, ótimas linhas de baixo e uma bateria dinâmica. 

“The Blade Of Cain” á uma poderosa peça e que mostra toda a grandeza da musicalidade da The Flower Kings. As linhas de guitarra são extremamente emocionantes, baixo e bateria mantém a consistência na cozinha e os teclados ao fundo estendem um tapete de bela harmonia. Na seção atmosférica as palavras ditas em “Love Supreme” são revisitadas, tornando essa uma excelente maneira de terminar o disco. 

Adam & Eve não está entre os discos mais significativos da banda, mas tem os seus momentos de grande brilho e no geral funciona muito bem, incorporando uma ampla variedade de estilos. O disco é muito bom, mas de uma música menos aventureira e mais pé no chão.

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