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Resenha: A Nod And A Wink (2002)

Álbum de Camel

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A Nod and A Wink é mais uma prova da consistência do Camel.

Autor: Tiago Meneses

01/04/2020

A Nod And A Wink é o décimo quarto álbum de estúdio lançado pelo Camel e que acabou também sendo dedicado a Peter Bardens, tecladista do período mais clássico da banda e que havia morrido em Janeiro daquele mesmo ano. O disco também marcava os 30 anos do grupo. Uma historia de muitas mudanças onde apenas Andy Latimer permaneceu na banda em todas elas. 

O disco tem início através da faixa título, "A Nod and A Wink". Começa com um lindo som ambiente seguido por um trabalho de flauta maravilhoso. A flauta e o ambiente acústico que a acompanha fazem com que a introdução da música seja realmente atraente para quem gosta especialmente de música sinfônica ou neo-progressiva. A faixa vai seguindo lindamente com notas baixas a medias. Há também um impressionante solo de guitarra de Latimer. Um começo de disco realmente excelente. 

“Simple Pleasures” entra muito bem logo após o término da primeira faixa. A seção rítmica inclui baixo, teclado, bateria e uma percussão – um uso de tom – que enriquece a música. Latimer canta com muita sutiliza – algo que sabe fazer muito bem – até a música se direcionar pra uma linha mais rápida, quando então há mais um excelente solo de guitarra. Uma faixa muito agradável e relaxante. 

"A Boy's Life" começa com um trabalho de voz e violão em uma melodia relativamente plana. Após a conclusão do primeiro momento lírico a música se move para um interlúdio musical, próximo de 2:38 fornece um ótimo preenchimento com trabalho de violão e teclado. A música segue amena até atingir uma explosão, onde a guitarra guia todos os instrumentos por uma estrada de solo belíssimo. 

“Fox Hill” abre em um clima edificante em um ritmo relativamente médio a rápido. Latimer parece cantar em notas mais altas, Colin Bass demonstra de forma mais aparente suas ótimas linhas de baixo. A música sofre uma pausa onde o piano fornece uma seção rítmica acentuada, lembrando o Supertramp. A maneira como Latimer canta essa música faz lembrar um pouco a Sensational Alex Harvey Band. Há um solo de guitarra que entrelaçado pelo teclado de Guy LeBlanc leva a música de maneira muito dinâmica. Também a um momento solo de bateria em que Denis Clemet demonstra grande segurança no instrumento. Uma faixa que embora não se mostre tão cativante como as anteriores, suas mudanças de estilos e andamentos fazem dela um som excelente e bastante rico. 

"The Miller's Tale" começa com um som ambiente de pássaro que logo é seguido por um lindo violão e um teclado suave. Novamente a música é em um ritmo lento. O som no teclado no fundo  produz uma sonoridade vintage em camadas sob um ótimo trabalho de violão. A música então se move para um interlúdio belíssimo e que leva o ouvinte a algo parecido com trilha sonora de filme épico. 

"Squigely Fair", o galo canta e a faixa começa de forma animada, liderada por um solo de guitarra durante um período relativamente longo, então que uma flauta assume o papel principal. Flauta é um instrumento que consegue tornar quase sempre uma música agradável, sendo que aqui não é diferente. Outra ótima música do disco. 

"For Today" encerra o disco de uma maneira extremamente linda. Começa com um piano solo que ganha a companhia do violão quando Latimer entra com os primeiros versos. A música então da uma guinada e entra um solo de guitarra por cima de uma seção rítmica suave, assim a música vai seguindo até chegar num momento de pausa, quando então depois de pouco mais de um minuto ela regressa pra que Latimer faça o que pra mim é um dos seus mais belos solos da carreira. Não acho que seria possível encerra o disco de uma maneira melhor que essa. 

Uma característica do Camel é o fato de desfilarem excelentes composições combinando músicas de ritmo suave e médio, sendo algo que fizeram novamente muito bem aqui. Sempre classifiquei o Camel como um dos heróis desconhecidos do rock progressivo, pois nunca alcançaram as alturas de muitas outras bandas de sua geração, ainda que sua discografia seja extremamente consistente. A Nod and A Wink é um disco onde o som faz lembrar o período nobre do rock progressivo dos anos de 1970 e ainda mantém um frescor associado ao século XXI, provando assim, a consistência da banda.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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