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Resenha: Rising Force (1984)

Álbum de Yngwie Malmsteen

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Essencial para quem deseja entender a conexão entre o metal e o clássico

Autor: Tiago Meneses

01/04/2020

Eu devo admitir que por muitos anos, eu fui aquele tipo de pessoa que simplesmente ficava malhando o Malmsteen com aquele velho jargão de que o cara só é velocidade e nada de música. Mas apesar de em muitos momentos sua música realmente ter um gosto de isopor, ele passa longe de ser apenas isso e tem sim discos interessantes, onde ao menos pra mim, Rising Force, seu trabalho de estreia, é o maior exemplo disso. 

"Black Star” é a faixa de abertura do disco e tem na introdução uma brincadeira no violão clássico. A música ganha corpo e combina as habilidades de Malmsteen com a guitarra distorcida e uma melodia fantástica com claras inclinações barrocas. De certa forma Malmsteen parece ir longe demais com os solos de guitarra, mas a melodia dessa música é algo simplesmente espetacular. 

“Far Beyond the Sun” é ainda melhor do que a primeira, o guitarrista adota o aspecto mais metal da sua música, mas sem deixar de ser extremamente cuidadoso em manter uma boa melodia. A interação entre teclado, baixo e bateria com a guitarra os liderando é uma coisa maravilhosa de se ouvir. A estrutura sinfônica também é surpreendente. 

“Now Your Ships Are Burned” tem uma vantagem nos vocais, porque Jeff Scott Soto acrescenta a energia necessária, mas sem precisar ir muito longe com rosnados e outros sons chatos. Mesmo em uma música onde o teclado é um bom complemente, a estrela é Malmsteen e sua guitarra. Tem um solo orientado para o blues que é um verdadeiro deleite, um blues com uma bateria um pouco mais rápida que o comum, digamos assim. 

“Evil Eye" começa com uma introdução de guitarra barroca bastante suave, mas sem demorar muito nesse clima a banda ataca com tudo o que eles têm, criando uma melodia orientada meio para o flamenco. O virtuosismo de Malmsteen mais uma vez é mais do que evidente. 

“Icarus' Dream Suite Op.4” não é nada menos do que arrebatadora e mais todos os elogios possíveis e imagináveis. Essa música tem uma carga tão dramática que às vezes dói o coração. Do começo ao fim tudo se desenvolve perfeitamente, a banda mantem a agressão sempre sobre controle, tornando os climas das harmonias ainda mais nostálgicos com as interrupções de guitarra. Simplesmente de tirar o fôlego. 

“As Above, So Below” começa com uma introdução no órgão com fortes influências em Bach, de atmosfera misteriosa e quase sacra, mas então que de repente se transforma em uma música fluida e com excelentes vocais. 

“Little Savage” não é exatamente uma música ruim, mas quando estamos acostumados a ver a mistura de metal com música clássica, uma faixa assim fica “comum” demais. Mas apesar disso é um bom trabalho e não compromete o disco. “Farewell” é uma pequena faixa em que por cerca de cinquenta segundos o guitarrista faz uma performance suave e bonita pra finalizar o disco. 

Não sou um grande fã do guitarrista e eu pegar um dos seus discos pra ouvir é algo quase impossível de acontecer, porém, devo admitir que em Rising Force mostra algo diferente, algo mais acalorado e menos artificial. Impecável e essencial para quem deseja entender a conexão entre o metal e o clássico.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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