Para os que respiram música assim como nós


Resenha: A Passion Play (1973)

Álbum de Jethro Tull

Acessos: 312


Lírica, ousada e irrepreensível obra conceitual

Autor: Márcio Chagas

31/03/2020

Comprei uma edição especial deste trabalho ainda nos anos 90. Na época não conhecia tanto esta álbum e fiquei impressionado com a mudança de sonoridade apresentada.

O grupo quebrou o conceito do que poderia se chamar de ousado, apresentando um álbum conceitual com uma única faixa dividida em duas partes, uma de cada lado do vinil que conta às aventuras e caminhos traçados pelo personagem Ronnie Pilgrin após sua morte.

Cada parte é divida em atos, ou pequenas canções que se juntadas formam a suíte denominada “A Passion Play”. Embora tenha sido concebido sob a mesma ótica do também clássico  “Thick as Brick” lançado no ano anterior, este álbum possui grandes diferenças por ser mais experimental e orquestrado, com a banda ousando ainda mais nos arranjos e variações rítmicas de toda a suíte apresentada.

Na época, o Jethro Tull tinha uma de suas melhores formações que incluía Martin Barre nas guitarras, John Evan no piano e sintetizadores, Jeffrey Hammond no baixo, Barriemore Barlow na bateria e percussão, além do líder Ian Anderson, que idealizou e compôs toda a obra.

Anderson, aliás, aparece aqui tocando além de sua indefectível flauta, o saxofone soprano.  Esse instrumento, pouquíssimo utilizado até então, deu a tônica no novo disco, deixando o grupo com ares de Van Der Graaf Generator em alguns momentos. 

Outro músico que merece menção é o tecladista e arranjador Dave Palmer, responsável por alguns arranjos e partes orquestradas da suíte, deixando a obra ainda mais grandiloquente e  rebuscada.

O álbum foi gravado nos estúdios Château d'Hérouville  na França, para fugir dos altos impostos cobrados pela coroa Britânica. E foi produzido por Ian Anderson ao lado de Terry Ellis que havia trabalhado com Ten Years After,   Procol Harum e outros. 

Quando chegou as lojas, em julho de 1973 “A Passion Play” recebeu uma enxurrada de críticas negativas por parte da imprensa e do público que não entendeu bem as variações rítmicas apresentadas e o jogo de palavras criadas por Anderson para contar a história da obra. Ainda assim, conseguiu a primeira colocação nas paradas dos EUA. 

Mesmo nos dias de hoje, é um item da discografia da banda que causa reações extremas entre os ouvintes: ou você ama,  ou você odeia! Eu sempre fiquei com a primeira opção. 

Em tempo: O álbum deveria ser duplo. Mas a ideia foi abandonada pelo grupo ainda nos estúdios. Boa parte das sobras aparece na coletânea “Nightcap” de 1993. De todo modo, em 2014, foi lançado no mercado uma versão comemorativa de 40 anos mixada por Steve Wilson (Porcupine Tree) e denominada “A Passion Play: An Extended Performance”, que contém as sessões completas do Chateau d'Herouville. O Box vem tambpem com um DVD de bônus, livreto com encarte e entrevista com os músicos dentre outras curiosidades.


Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: