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Resenha: Dream Evil (1987)

Álbum de Dio

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Complemento da era Dio

Por: Fábio Arthur

31/03/2020

Eu estava em uma loja de discos. Passei pela parte de Heavy Metal quando cheguei buscando por algo novo. Encontrei Def Leppard, o "Hysteria", e esse "Dream Evil", do Dio, e assim optei pelo saudoso vocalista. Enfim, uma escolha acertada e mesmo assim após alguns meses adquiri o do Def Leppard.

Em 1987 Dio lançava essa pérola, que de certa forma a sua produção soa sim, bem datada, mas o som é ótimo. Os riffs, melodias, composições mostram uma obra bem realizada.

Dio vinha de um sucesso estrondoso, de ginásios lotados e exposição em massa. O álbum marca o primeiro com Craig Goldy na guitarra, excelente por sinal e menos egocêntrico que o deixado de lado Campbell. O cara funciona bem ao vivo e em estúdio, e não deve nada ao antecessor. 

Para Dio, o disco era fraco e não tinha a mesma força dos anteriores. Discordo, mas enfim, quem elaborou a obra sabe o que e o porque das coisas. O trabalho marca também o último com a cozinha clássica da banda e que seria também um trabalho mais melodioso do que o cantor faria anos adiante.

Como sempre produziam singles e os vídeos para MTV, Dio continuou reinando com esse disco. Na versão estendida deluxe em CD, Dio traz sua performance ao vivo em Donnington, e que demonstra toda força que a banda tinha ainda, mesmo após três turnês mundiais, uma qualidade musical impecável e bem acima de média.

As ilustrações de arte vieram de Steve Huston, e reparem nas altas particularidades dos detalhes da mesma; são bem legais e trazem informações sobre as canções e principalmente da faixa inicial.

A Vertigo lançou aqui no Brasil o petardo e a Warner nos mercados europeus e americanos. O disco tem pouco mais de 40 minutos e todas as faixas são ótimas. Em "Night People" a coisa começa com teclados, e a faixa é bem interessante pelos vocais e arranjos de guitarras. "Dream Evil", a faixa que denomina o álbum, é forte, muito bem requisitada pelos fãs e tem riffs preciosos, além dos solos e uma bateria primorosa de Vinnie. A canção "Sunset Superman" vem com tema sobre a realidade de um indivíduo que trabalha e seus percalços humanitários - uma mudança na maneira de Dio escrever -. "All the Fools Sailed Away", a balada - eu já citei várias vezes que não gosto de baladas -, mas aqui tenho que reverenciar a canção, ótima em seu total, sua letra e sua melodia fazem dela uma arte fundamental e movimenta o lado emocional de quem gosta de estruturas entre riffs com camadas de teclados permeados por delays e chorus nas guitarras. Uma faixa que tem um clima muito forte, em um crescendo com as vozes alternadas entre o sutil e o peso do drive. Absoluta! "Naked in the Rain" traz Dio em seu momento clássico no estilo típico do cantor, mas um pouco mais brando por causa dos teclados. "Overload" é muito coesa, forte e mais ríspida que as demais do disco. "I Coul'd Have Been a Dreamer" é ótima, meio baladinha e que também acabei curtindo pela atuação de Dio e do estilo marcante dos riffs de Goldy. A letra desta é fenomenal também. "Faces in the Window" é a que menos me atrai, porém ainda é firme em seu conteúdo, não deixando cair o nível. "When a Woman Cries" fecha o disco de forma excepcional, canção ótima com uma bateria bem acertada e os teclados não incomodam e contribuem na faceta. 

Para mim, esse é um término de uma fase e marca a quadrilogia forte de Dio, com a força de sua obra intacta. Logicamente, não desprezo os sucessores, mas é como o Motörhead ou Iron Maiden, grupos que têm aquele momento de ouro em que alguns discos são mais preciosos.

Dio, detonou nesse álbum!

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