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Resenha: Bestia Immundis (2020)

Álbum de Assassin

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Um álbum assassino

Autor: Diógenes Ferreira

30/03/2020

Vindo da mesma escola de Kreator, Sodom, Destruction e Exumer, os alemães do Assassin formaram-se na cidade de Düsseldorf em 1983 sob o nome Satanica e depois já como Assassin, lançavam seu debut The Upcoming Terror em 1987. Após esse cartão de visitas veio o segundo álbum logo um ano depois em 1988, com Interestellar Experience mantendo a banda em crescente afirmação no cenário alemão junto com seus conterrâneos que já despontavam para o cenário mundial. Porém, em 1989 a banda teve todo seu equipamento roubado quando arrombaram a sala de ensaios do grupo e levaram todos os instrumentos e equipamentos que pouco tempo antes a banda havia comprado com a grana que a gravadora SPV/Steamhammer havia disponibilizado com o contrato que haviam feito. Isso quebrou a banda e sem condições de adquirir novos equipamentos, a banda decidiu encerrar as atividades. Após mais de dez anos, a banda reapareceu em 2002 voltando às atividades e participou do Wacken Open Air de 2003, chamando a atenção novamente e desde então manteve sua carreira ativa lançando os álbuns The Club (2005), Breaking The Silence (2011) e Combat Cathedral (2016), além do DVD Chaos and Live Shots (2012). 

Certamente que ao longo dos anos, com todos esses problemas e dificuldades na história da banda, a formação foi alterada devido à incertezas de continuidade e também divergências musicais. Restando apenas o guitarrista Jürgen Scholz (Scholli) da formação original, tivemos a saída do conhecido Michael Hoffman que no período inativo da banda tocou no Sodom, onde o mesmo foi substituído por outra lenda alemã, Frank Godzik (Blackfire), que também fez história no Kreator, Destruction e até residiu no Brasil por um tempo tendo a banda Mystic. Outra mudança foi no posto vocal, agora sob comando de Ingo Bajonczak, que entrou no lugar de Robert Gonella no álbum anterior ‘Combat Cathedral’ de 2016 e vem mostrando um excelente trabalho com seu vocal potente e vigoroso. A cozinha permanece a mesma desde 2011 com Joachim Kremer (bass) e Björn Sondermann (drums). Esta é a formação estabilizada que está lançando mais um álbum do Assassin intitulado Bestia Immundis agora em 2020, mantendo sua pegada visceral, com palhetadas rápidas, vocais esganiçados e todo aquele clima que sempre norteia as bandas do Thrash alemão.

A pancadaria já começa com “The Swamp Thing” que ganhou Lyric Video para divulgação do álbum, seguida de “How Much Can I Take” que mantém a mesma pegada. “No More Lies” inicia com uma palhetada que vai crescendo até escorrer o Thrash na linha Onslaught e é outra que ganhou um Lyric Video. Depois vem uma verdadeira arranca-pescoço com “Not Like You” com riffs malditos e potente refrão, sem dúvida um dos destaques do álbum. “The Wall” vem numa pegada quase hardcore que sempre esteve um pouco presente na banda, já “Hell’s Work is Done” vem lembrar o Sodom dos primórdios. “The Killing Light” inicia com um belo trabalho de cordas a cargo do talento de Frank Godzik, pra depois descambar para a ‘thrasheira’ habitual com guitarras cuspindo melodias aqui e ali. “Shark Attack” vem novamente com o Hardcore na veia, enquanto que “War Song” apresenta aquele clima de guerra que tanto o Sodom gosta de imprimir em suas músicas, com destaque para o refrão quase gutural de Ingo Bajonczak. A última faixa “Chemtrails” vem dividida em duas partes, sendo que a primeira parte é instrumental e que prepara o terreno para a segunda parte destruir tudo com peso e velocidade absurda e encerrar esse álbum assassino que facilmente vai arrancar cabeças por aí em 2020.


Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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