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Resenha: Anderson Bruford Wakeman Howe (1989)

Álbum de Anderson Bruford Wakeman Howe

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O melhor disco do “Yes” lançado entre 1983 e 1999

Autor: Tiago Meneses

30/03/2020

No ano de 1989 certamente os fãs do Yes se encontraram em uma situação no mínimo peculiar. O Yes estava muito em baixa como seu público mais devoto pela sonoridade progressiva clássica da banda, Rabin, Squire e companhia levaram a reputação da banda ao fundo do poço com dois álbuns sofríveis, por outro lado, quatro músicos com credenciais suficientes para ser o verdadeiro Yes, digamos assim, tinham que usar seus nomes – devido a cláusulas contratuais – para tocar as músicas que eles compuseram, além de novas que, mesmo que não estivessem ao nível de obras-primas da lendária banda, certamente estavam mais próximas das raízes do Yes do que o que a própria banda estava fazendo. Mas depois dessa viagem toda, vamos aos sons que o disco tem a oferecer. 

“Themes” é a faixa que inicia o disco. Uma introdução bastante agradável ao teclado anuncia uma explosão de sons, de certo ela parece meio confusa e desordenada, mas agradável mesmo assim. A voz de Jon Anderson está bem característica, suave e aguda. Curiosamente o músico que parece mais dá liga na música é justamente aquele que nunca tocou com o Yes, o senhor Tony Levin no baixo é a espinha da faixa. Algumas explosões de Wakeman nos faz lembrar os seus tempos de Yes. Uma boa música. 

“Fist of Fire” é como de certa forma eu imagino que o Yes soaria nos anos 80 se Rabin nunca tivesse entrado na banda. Uma faixa forte e sólida, mas parece faltar algo, Steve Howe faz um trabalho muito bom e Wakeman mostra porque ele é considerado o mago do teclado. Mas mesmo assim eu a acho meio desconexa e parece que eles levaram o nome da banda muito a sério aqui, Anderson - Bruford  - Wakeman  -  Howe, e parecia tentar fazer performances individuais ao invés de um trabalho em esquipe. 

“Brother of Mine” é a primeira faixa do álbum que soa realmente coerente, tudo está no seu devido lugar, a voz de Anderson está muito boa, Levin e Bruford fazem uma cozinha absolutamente perfeita, até mesmo Tony nos vocais de apoio está tão bom que nos faz esquecermos de Chris Squire. Uma faixa excelente com algumas mudanças muito boas. São mais de dez minutos muito bem desenvolvidos musicalmente. 

“Birthright” começa com uma ótima introdução de violão, uma das especialidades de Howe, mas infelizmente a música nunca parece decolar e nos cria uma eterna expectativa, fica parecendo uma introdução que nunca se desenvolveu, sendo salva da mediocridade apenas por umas linhas de Howe. Mas é então que algo diferente acontece, Rick Wakeman parece incorporar o Vangelis e faz uma seção de teclados bastante incomum para o darão dele e que é perfeitamente apoiada por Bruford. Pra ver como são as coisas, aquele tipo de faixa que a princípio está quase nos dando nos nervos, de repente nos faz lembrar que estamos diante de cincos músicos incríveis e que são capazes de tirar um coelho da cartola a qualquer momento. 

“The Meeting” é uma balada em clima nostálgico arranjada para piano e vocal, até que funciona bem como aquele momento mais apaziguador do disco. Mas acho que ela combinaria mais em algum disco da carreira solo de Wakeman, ao invés de um álbum deste. Não é ruim, mas não me diz muita coisa. 

“Quartet” é mais um dos bons trabalhos em equipe da banda e que mostra certo desejo em voltar no som dos velhos tempos. Um som bastante perto da era Tormato, só que muito melhor. A característica mais marcante do som aqui é como Anderson consegue incluir fragmentos de letras e nomes de músicas do Yes, parece quase um pedido para uma velha reunião e para deixar os velhos tempos voltarem. Música muito boa. 

“Teakbois” é de longe o pior momento do disco. Que som é esse? Acho que esse pessoal deveria saber que quatro britânicos com formação musical clássica não foram colocados nesse mundo pra tocar músicas caribenhas, – nada contra músicas caribenhas, mas cada coisa na sua hora certa – pois eles simplesmente não tem ritmo ou qualquer tato pra isso. Uma faixa horrível por completo. 

“Order of the Universe”, se eu fosse dar um motivo citando uma das músicas pra vocês comprarem esse CD, certamente esse motivo se chamaria “Order of the Universe”. Isso é um verdadeiro Yes clássico, a banda deveria ter essa música em seus shows, combina muito mais do que algumas faixas que sempre marcam presença. Todos os membros estão perfeitos, o trabalho vocal é muito sólido. Pouco mais de nove minutos de uma faixa muito bem direcionada do começo ao fim. 

“Let's Pretend” é a faixa mais curta do álbum e que também o finaliza. Mais uma balada muito bonita em clima bastante nostálgico. Parece um clamor por uma nova reunião do Yes, assim como a faixa também caberia perfeitamente em um disco da banda. 

Eu sei que oficialmente esse álbum não é um trabalho do Yes, mas eu o considero mais do que discos como Big Generator ou 90125, ainda que claro ele também não se compare a feitos como Close to the Edge ou Fragile. No fim das contas se trata de um bom disco, mesmo que abaixo das possibilidades dos músicos que fizeram parte dele. O melhor disco do “Yes” lançado entre 1983 e 1999.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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