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Resenha: Bedside Manners Are Extra (1973)

Álbum de Greenslade

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A prova de que bons músicos nem sempre fazem bons álbuns

Autor: Tiago Meneses

29/03/2020

Às vezes acontece algo comigo e que eu acredito nem ser o único, de ouvir uma banda onde é nítido que é formada por músicos qualificados, tem boas composições, sonoridade excelente, letras bem escritas e interpretadas, mesmo os vocais que não são lá grandes coisas no fim não seria fraco a ponto de comprometer o resultado final. Mas tudo parece muito redondo a ponto de me irritar. Talvez falando sobre cada uma das músicas eu consiga fazer que me entendam melhor. 

“Bedside Manners Are Extra”, faixa título é a que abre o disco. Já posso citá-la como um exemplo clássico do que foi dito mais acima, teclados agradáveis, arranjos bons, mas tudo parece limpo demais, é como se a banda evitasse todos os tipos de riscos e escolhesse tocar com total segurança, mas com isso acabam se tornando repetitivos. Uma espécie de pop progressivo que pode soar até legal, tudo flui suavemente do começo ao fim, sem surpresas, sem brilhos, sem fazer que tenhamos vontade de ouvi-la de novo. 

“Pilgrim's Progress” começa bem suave e parece previsível, mas de repente ela se transforma em alguma coisa tipo heavy prog suave e que dá uma esperança que a má impressão inicial não se repetirá, mas novamente a falta de imaginação parece ser a regra. Apesar de alguns riffs que nos remete ao Emerson, Lake & Palmer e que oxigena a música com certa pompa, acabam caindo novamente em uma seção sem graça a ponto de começaram à soar um pouco bregas. Apesar de ter algumas mudanças radicais, não basta pra tirá-la do grupo de músicas descartáveis. 

“Time to Dream” é uma música onde ao menos o título é perfeito, pois a essa altura quem está procurando algo no disco que o prenda, deve está mesmo é com sono. Mas ao menos a música é frenética é serve pra despertar quem há não estava aguentando muito ao que estava ouvindo. Porém, considero esse som bastante incoerente, parece que eles não sabem o que querem de verdade e os instrumentos são tocados um por cima do outro de uma forma meio bagunçada. Mais uma música completamente dispensável. 

“Drum Folk”  tem um começo que sendo honesto, inicialmente eles conseguem uma atmosfera de suspense muito boa, mas infelizmente quando os teclados assumem a liderança, eles caem mais uma vez na previsibilidade e já deixa o ouvinte alerta com o tédio que logo pode bater. Um outro problema aqui é que antes mesmo da música chegar na sua seção climática, a banda inventou um solo de bateria, sério, nunca vi algo em um ponto não inapropriado, deixando claro que o solo em si não é ruim, até mesmo porque o Andy McCulloch é um músico muito capacitado, mas a coerência da faixa vai pro espaço. A música regressa com uma flauta ao invés da banda aproveitar o impulso dado pelo solo de bateria e aproveitá-lo ao menos de alguma maneira, sinceramente, não parece que eles estavam levando a sério a música deles. Surpreendente a entrada de uma guitarra psicodélica é o melhor que a banda apresentou desde o início do álbum, mas quando eles decidem entrar com outro solo de bateria é a hora de apertar o botão de pular a faixa. 

“Sunkissed You're Not” começa com uma espécie de experimento sinfônico suave de jazz, algo como se Chuck Magione tivesse encontrado com Rick Wakeman e decidiram tocar algo. Os teclados eu não creio que podem ser descritos como algo diferente de extravagante e sem imaginação. Impressionante como a banda conseguiu criar uma música que parece do meio dos anos 80 bem no começo dos anos 70. Não tem o que comentar mais dessa faixa, apertar o botão de pular é novamente a solução. 

“Chalkhill” é a música que fecha o álbum, segue o fluxo da mesma maneira que a faixa anterior, mas ainda com menos energia e teclados extremamente fracos. Nada mais a dizer. 

Qual conclusão chegar após ouvir esse disco? Que bons músicos nem sempre fazem bons álbuns, pois as suas habilidades por si só não são suficientes, você precisa de imaginação, álbum que este disco carece e muito do começo ao fim. O que ainda o salva em alguns momentos é algumas seções de teclados, mas ainda assim, isso é muito pouco.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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