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Resenha: Where Have I Known You Before (1974)

Álbum de Return to Forever

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O Quarteto Fantástico do Fusion!

Por: Márcio Chagas

28/03/2020

Return to Forever começou como um projeto capitaneado pelo tecladista Chick Corea. O grupo começou com um direcionamento mais acústico e jazzístico, incluindo em sua formação o flautista Joe Farrel e os brasileiros Airto Moreira e Flora Purim. O Baixista americano Stanley Clarke entrou a partir do segundo disco, e logo em seguida Lenny White substitui Moreira. 

Clarke Havia iniciado a carreira solo um ano antes, sendo um dos mais jovens e virtuosos talentos de seu instrumento, tocando inclusive baixos elétricos e acústicos. Lenny era um baterista experiente no meio dos anos 70, tendo iniciado a carreira na década anterior acompanhando grandes nomes do jazz como o saxofonista Jack McLean e integrado a banda de Miles Davis que gravou o seminal álbum “Bitche´s Brew”, o marco zero da fusão entre o jazz e o rock.

O trio tinha gravado o álbum anterior com o guitarrista Bill Connors, privilegiando um som menos vigoroso e mais acústico. Porém, Bill resolve deixar o grupo alegando que não gostava de viajar e queria se dedicar a carreira solo. Acredito que o direcionamento musical tenha sido determinante para sua saída, uma vez que Connors privilegiava o lado acústico de seu instrumento.

Em seu lugar foi chamado um jovem de 19 anos, descendente de italianos e nascido em Nova Jersey chamado Al Di Meola. O guitarrista tinha grande domínio técnico do instrumento, construindo solos extremamente rápidos e complexos, misturando jazz, rock, música latina e utilizando escalas características da música flamenca. 

O quarteto entra no Record Plant Studios em Nova Iorque para gravar o primeiro trabalho daquela formação tendo o próprio Corea como produtor. “Where Have I Known You Before” pode ser considerado o marco inicial da carreira do grupo. A sonoridade ficou mais elétrica, privilegiando temas mais rápidos e dinâmicos. Corea começou a utilizar uma nova parafernália que incluía Minimoogs, hammonds, piano elétrico e ARP Odissey.

Foi dado um espaço bem maior para os outros integrantes, que dividiam com o líder a responsabilidade em compor e criar solos para as canções.
“Vulcan Words” inicia o petardo mostrando essa evolução com muita propriedade. É um tema do baixista Clarke, onde o piano elétrico divide a atenção com a guitarra distorcida de Meola, amparados pela cozinha pesada de Clarke e White;

“The Shadow of Lo” é uma composição de Lenny que tem a guitarra de Meola a frente do tema, fazendo um contraponto interessante com o Moog de Corea, principalmente nos solos. É uma canção com muitas variações rítmicas em um tema que cresce durante seu desenvolvimento;
Encerrando o antigo lado A do vinil temos “Beyond the Seventh Galaxy”, composição de Corea. Um tema dinâmico e muito bem estruturado, com espaço para todos os quatro músicos se sobressaírem com muita propriedade;

A curta “Earth Juice” é a primeira música composta pelo quarteto. Um tema com mais groove, onde pode-se notar influencias claras de soul. Em meio sua batida dançante a guitarra distorcida de Meola se sobressai, mantendo a identidade musical do grupo;

Encerrando o álbum temos a suíte “Song To The Pharoah Kings”, com seus mais de 14 minutos, que possui uma introdução de teclado meio egípcio, surpreendendo os ouvintes em seguida, com a entrada dos demais integrantes e a adição de uma percussão latina por todo o tema. Na canção todos apresentam um robusto solo, começando por White que é fielmente seguido por Clarke e seu baixo Alembic muito bem timbrado.

Em meio a mudanças de andamento ocorrida durante a canção, Al Di  Meola aproveita para deixar sua marca bastante pessoal, como se Hendrix, Santana e John Mclaughlin fossem a mesma pessoa. Mais ao final, Corea assume o tema com seu Fender Rhodes Piano e o tema vai se desenvolvendo até seu final.

Entre as faixas do disco há ainda três temas curtos e improvisados de Corea ao Piano, como se fossem pequenas introduções às canções. 

 “Where Have I Known You Before” foi lançado em setembro de 1974, ajudou a definir o estilo do grupo e colocou Return to Forever como um dos maiores representantes do fusion daquela década, ao lado do Weather Report e da Mahavischnu Orchestra.

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