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Resenha: Gigaton (2020)

Álbum de Pearl Jam

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Nenhuma reviravolta, mas ainda bom!

Por: Marcio Alexandre

27/03/2020

Foram sete anos que se passaram desde que o Pearl Jam se enveredou em algum material novo. Somente agora em 2020 a banda, uma das remanescentes da cena de Seattle, traz o seu mais novo trabalho, o disco "Gigaton". O décimo primeiro registro chega pela Monkeywrench Records/Republic Records, no Estados Unidos e via Universal Music Group, na distribuição internacional. 

O guitarrista Mike McCread, havia dito que o trabalho seria algo "experimental e confuso". As palavras causaram curiosidade no mínimo, principalmente ao primeiro single dar as caras, mas não é exatamente isso que vemos. Quem abre é "Who Ever Said" evocando a banda em seu tom mais clássico e Vedder sendo Vedder e o Pearl Jam sendo o Pearl Jam. A faixa é ágil e traz arranjos de teclados que mostram de forma ainda acanhada que veremos novidades ao seu longo. "Superflood Wolfmoon" segue a linha da faixa anterior, continua bastante ágil e direta, com um solo interessante. Em "Dance of the Clairvoyants" é que o experimentalismo dá as caras com mais força. A levada soa como um flerte na música eletrônica que lembram bandas indie mais recentes, porém, com um selo do PJ por cima. Pode causa certa estranheza aos fãs mais ardorosos ou antigos da banda, o que sempre acontece nessas questões, mas se trata de uma faixa muito boa, com um refrão muito bem encaminhado e flui muito bem e Vedder parece super a vontade nessa vibe. 

"Quick Escape" traz o rock de volta, e aqui o lado grunge dá as caras com força. O baixo marcado aparece nos versos, Vedder traz sua voz chorosa em algumas partes e o refrão explode em coros de vozes e um momento cheio de presença e se torna uma das mais marcantes do trabalho todo. "Alright" é bem calma, serena, aquelas baladas que Eddie se esbalda e embala sem muitas modificações, mas bem interessante de se acompanhar. "Never Destination" segue cadenciada, num ritmo mais pegajoso e versos agitados, um solo bem bacana e uma levada de rock tradicional que a banda sempre implica ao seu som. 

"Take The Long Way" é daquelas faixas que surgem para completar o disco, apesar do ótimo solo que traz, um dos mais bem executados por aqui, além da ótima ponte que dá as caras. "Buckle Up" é outra que é bastante branda, outra balada, mas que não traz o charme de outras horas, sendo mais um momento bem morno na passagem do disco. "Retrograde" ainda continua na linha mais leve, mas dessa vez as coisas soam bem melhores e ótimas linhas de harmonia surgem ali e cativa o ouvinte em pouco tempo e é dona de mais um refrão bem chiclete, ma tão bom quanto o restante. Já no seu encerramento, "River Cross" surge toda dramática, com poucos detalhes e um grande destaque à Vedder que mesmo em dias atuais se mostra um ótimo cantor e não deve em nada aquele menino de vinte e poucos anos surtado no palco. 

Ao fim "Gigaton" não é uma reviravolta na vida de ninguém nem muito menos no fã do Pearl Jam. Os sete anos não foram lá tão criativos ou inovadores assim e por vários momentos, parecem um pouco cansado do que fazem, porém, o PJ é o que é e sabemos que a banda sabe criar música, então, não espere uma revolução sonora, mas aproveite como mais um momento dos caras.

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