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Resenha: Black Moon (1992)

Álbum de Emerson, Lake And Palmer

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No máximo um disco mediano

Por: Tiago Meneses

26/03/2020

Sempre que existe uma discussão entre pessoas de dentro ou fora do rock progressivo sobre no que o gênero havia de errado, o nome Emerson, Lake & Palmer sempre acaba sendo mencionado. Muitos os acusavam de musicalidade excessivamente pomposa, autoindulgentes, arrogantes entre tantas outras coisas. Sinceramente, sempre protestei contra essas acusações, pois o próprio rock progressivo é um gênero pomposo e o Emerson, Lake & Palmer desempenhou um papel extremamente importante para a definição dele. 

Quando falamos de rock progressivo, é certo que o Emerson, Lake & Palmer foi uma de suas estrelas mais brilhantes, mas que infelizmente pagaram um preço por brilhar tanto, sendo assim, queimou rápido demais. Acontece que enquanto outras bandas continuavam crescendo, eles começaram a perder progressivamente a credibilidade, chegando ao fundo do poço com Love Beach. Sei que até mesmo muitas pessoas que inicialmente virava a cara para a sua capa e tampava os ouvidos para a sua música, começaram a aceitar melhor o Love Beach, mas falando por mim, não consegui fazer isso ainda. 

Após esse desastre de 1978, a banda se separou no ano seguinte e muitos não acreditavam mais que veriam esses três tocando juntos novamente. Mas no começo dos anos 90 o trio estava de volta e lançaram Black Moon em 1992 na tentativa de recuperar o merecido lugar no reino do rock progressivo. Honestamente, foi melhor que o Love Beach, mas isso quer dizer muita coisa? Não mesmo, a velha fórmula musical parecia exausta e aquilo que impressionava na década de 70, não passou de clichê nos anos 90, principalmente depois do renascimento progressivo (como muitos chamaram) iniciado pela Suécia através bandas como Flower Kings, Anekdoten, Anglagard e Par Lindh Project. Não acho que seja necessário revisar todas as músicas, mas é bom pontuar alguns momentos. 

“Black Moon”, faixa título e que inicia o disco, começa de maneira promissora com sintetizador e piano, mas assim que a bateria entra pela primeira vez o ouvinte já descobre que os seus primeiros segundos nada mais foram do que um eco do passado. Bastante altissonante e forte, mas não possui substância, é como se a banda estivesse perdida no caminho de ida e sequer lembrasse o caminho de volta. Teclados em outrora impressionantes, soam chatos e sem imaginação. 

"Paper Blood" apresenta uma melhora, a gaita dá um ar fresco na música e a escolha do órgão de Keith Emerson até impressiona, porém, o problema persiste, algumas ideias são até mesmo muito boas, mas falta substância e mesmo que eles tentem com a fórmula antiga, não irão conseguir causar a mesma impressão causada duas décadas antes. 

O que poderia acontecer no álbum para ele tentar tomar a atenção do ouvinte? Uma boa ideia seria recriar a obra de um músico clássico, mesmo porque isso a banda sempre fez muito bem. “Romeo and Juliet” de Sergei Prokofiev é uma peça bastante magnificente e explosiva, mesmo que também seja um pouco repetitiva. Problema que ao invés da banda fazer algo que eles fazem muito bem, que é “destruir” o trabalho original e criar por cima algo novo e radical, eles simplesmente seguiram a composição original, mas com alguns efeitos. Não é ruim, mas um pouco frustrante pelo que um amante da banda pode esperar. 

Até esse ponto podemos dizer que o Emerson, Lake & Palmer falhou na tentativa de reproduzir músicas seguindo o formato antigo. Mas existe ainda algo a ser tentado? Claro que sim, como por exemplo, a balada de Greg Lake, “Farewell to Arms”. Simples e sem imaginação até mesmo no nome. 

Como já dito, não tem necessidade de falar de todas as faixa, tudo pode ser resumir no fato de soarem em uma tentativa patética de tocar Emerson, Lake & Palmer seguindo um roteiro antigo, o que não chega sequer a ser algo errado, mas o que era imaginativo em 1972, em 1992 já não é tão incrível assim. Eu digo que se esse disco fosse de outra banda, talvez o primeiro de um grupo de rock progressivo da época, certamente que eu veria esse álbum ao menos como bom, mas sempre tive a ideia de que as grandes bandas e artistas devem ser medidos pelos seus próprios padrões, e nesse caso, Black Moon é no máximo um disco mediano sendo bastante compreensível.

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