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Resenha: Rhapsodies (1979)

Álbum de Rick Wakeman

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Músicas sem inspiração, brilho e nitidamente preguiçosas

Autor: Tiago Meneses

25/03/2020

Eu um dia de chuva sem fim como o de hoje, achei que seria um bom momento pra ouvir alguns discos do Rick Wakeman, digo alguns, pois se eu fosse querer ouvir as sua discografia completa precisaria de mais um mês chuvoso. É fato que discos como Six Wives of Henry the VIII, Journey to the Centre of the Earth e Myths & Legends são verdadeiras preciosidades da música progressiva. Confesso que a cada vez eu os ouço sinto-me como se estivesse sendo transportado pra um universo diferente. Mas como nada dura pra sempre, Rick Wakeman assinou um péssimo contrato com a A&R Records, então que ele teve que lançar o maior número possível de álbuns pra sobreviver e isso obviamente causou uma queda grande na qualidade dos seus discos. 

Não posso deixar de mencionar que No Earthly Connection e Criminal Record também são discos excelentes, mas já é bem claro ali que o som de Wakeman está mudando. Mas foi em Rhapsodies que aquele músico extraordinário e visto quase como um Deus por muitos amantes da música progressiva, mostrou que era apenas um homem comum como qualquer outro e que os dias de glória haviam passado. 

Enquanto escuto de maneira displicente as músicas desse disco, eu fico me perguntando em como descrevê-lo. Falar faixa por faixa? Embora eu adore fazer isso, jamais faria nesse caso, pois além de tudo se trata de um álbum com mais de setenta minutos, é como um Domingo de inverno, ou seja, longo e chato, sinceramente, eu não conseguiria me manter acordado e muito provavelmente ficaria de mau humor por conta de um longo tempo tendo o meu ouvido metralhado por um material decepcionante. 

Um dos problemas aqui é que Wakeman está sóbrio como nunca estivera antes, algo que já considero um erro terrível, pois a sua música pra mim é sinônimo de algo pomposo, afinal, esse é o estilo dele e o que os seus admiradores estão acostumados e gostam de ouvir. Nesse disco ele somente toca melodias legais, praticamente sem nenhum momento pra chamarmos de brilhante. 

Sabe mais um ponto que é triste em Rhapsodies? Que apesar de tudo dito até aqui, podemos perceber que a musicalidade está ali e intacta, as melodias são boas e bem elaboradas, mas é difícil acreditar que é Wakeman que está ali, particularmente pra mim não está, pois não sinto em momento algum a sua costumeira energia, seu poder, absolutamente nenhum dos excessos que fez dos seus primeiros discos obras de tanto valor. Então, com tudo isso o disco é ao menos mediano? Infelizmente não, na verdade fica mais triste ainda poder notar em sua música um Rick Wakeman atado por exigência de gravadora, e tendo que mandar para o mercado um álbum de músicas sem inspiração, brilho e nitidamente preguiçosa.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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