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Resenha: Chocolate Kings (1975)

Álbum de Premiata Forneria Marconi

Acessos: 70


Prog sinfônico Made in Itália!

Autor: Márcio Chagas

25/03/2020

Em 1975 a carreira do Premiata estava em franca ascensão. O grupo vinha realizando turnês internacionais e promovendo seu primeiro disco ao vivo denominado “Cook”. Após a extensa turnê o grupo volta a Itália e resolve descansar do ritmo frenético de shows.

Em uma reunião sobre os novos rumos a serem tomados, todos concordam que deveria haver um vocalista para que o grupo pudesse se concentrar nos arranjos e na parte instrumental das canções. O quinteto havia produzido uma banda chamada ‘Acqua Fragile”, e resolveram chamar seu vocalista Bernardo Lanzetti para fazer parte do grupo. Lanzetti era um vocalista seguro e experiente, possuía uma voz encorpada e já havia estudado no Texas, ou seja, falava inglês com certa fluência.

O disco foi produzido por Claudio Fabi com a ajuda da banda. As canções foram majoritariamente escritas por Mussida, Premoli e Pagani e pela primeira vez todas as músicas foram escritas e gravas somente em inglês, para o desgosto de muitos fãs que curtiam os vocais em italiano.

Porém não foi somente o idioma que havia mudado. A Voz de Lanzetti, áspera e excessivamente grave se assemelhava demais a de Peter Gabriel, e acredito que esse fato tenha entusiasmado o grupo a extravazar ainda mais as influências de Mike Rutherford e Cia, deixando o som do Premiata menos lírico e mais sinfônico e arrastado, mantendo algumas passagens sincopadas que o grupo adorava, influência direta do King Crimson.

“From Under” abre o álbum com uma das melhores introduções criadas pelo grupo. O tema completamente embasado em camas de teclados e com belas passagens de flauta os aproximam ainda mais do Genesis com ecos do holandês Focus. Uma curiosidade interessante é o baixo de Djivas, sendo tocado como se Chris Squire do Yes estivesse no grupo de Peter Gabriel;

Baixo e violão dividem a bela introdução de “Harlequim”, uma canção que vai crescendo juntamente como vocal. Na segunda parte, o baixo poderoso de Djivas e o violino de Pagani tomam conta do tema, que se torna muito mais dinâmico e sincopado, é como se a canção fosse dividida em duas partes;

A faixa titulo tem um pezinho no pop, com seus teclados repetitivos, bateria atrabiliária de Franz e o vocal contagiante por todo o tema;

O lado B  do antigo vinil começa com um verdadeiro clássico, “Out of the Roundabout”. Sua sonoridade é pastoral, baseada no violão de Mussida que acompanha Lanzetti durante todo o tema, dando suporte a entrada dos demais instrumentos. Aliás, abro um parêntese para ressaltar a maravilhosa atuação de Flávio Premoli em todo o disco. Poucos tecladistas sabem utilizar pianos, hammonds e moogs como ele. Sua atuação foi determinante para consolidar a sonoridade do grupo em todas as fases;

Coube a “Paper charms” encerrar o álbum. Sua sonoridade é calcada em camas de teclados sobrepostos a voz de Lanzetti. O violino de Pagani aparece de maneira predominante na parte mais dinâmica da canção, assim como inserções de guitarra de Mussida, trazendo certo improviso característico do grupo. 

Contando com duas capas completamente diferentes: a primeira, apresentava a bandeira americana sendo usada como embalagem para o chocolate, e a segunda, mostrava uma Marilyn Monroe, obesa e decadente, se empanturrando com a guloseima. “Chocolate Kings” foi um grande sucesso do grupo, tendo alcançado boas colocações nas paradas britânicas e italianas. 

Porém, nem todo o sucesso impediu o grupo de sofrer uma dura baixa: Mauro Pagani, violinista, flautista e compositor resolve abandonar o grupo alegando cansaço devido as imensas turnês e pouco tempo para dedicar a seus instrumentos e demais projetos. Seria o fim da era eminentemente progressiva do grupo.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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