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Resenha: Readiness to Sacrifice (1999)

Álbum de Michael Kiske

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O distanciamento completo

Autor: André Luiz Paiz

25/03/2020

Após o ótimo "Instant Clarity", Michael Kiske mergulhou em uma espécie de retiro espiritual dentro de si e começou a questionar algumas de suas escolhas do passado. Naquele momento, suas reflexões o fizeram se afastar da cena metal, apesar de que ainda figurava nas notícias especializadas. Primeiro, pela ótima participação que fez no álbum "Land Of The Free", do Gamma Ray, de Kai Hansen. Tinha também uma história de que assumiria os vocais da banda após a saída de Ralph Scheepers para tentar um lugar no Judas Priest. Depois, quando foi cogitado a substituir Bruce Dickinson no Iron Maiden - algo que teria sido fantástico. Mesmo assim, Kiske praticamente se retirou de cena, lançando álbuns sem turnê e com pouca divulgação/recepção.

Enquanto o power metal melódico crescia abundantemente com Blind Guardian, Stratovarius, Rhapsody (hoje Rhapsody Of Fire), Kiske decidiu seguir caminho contrário. "Readiness to Sacrifice" é um disco com ótimas canções que se entrelaçam com alguns equívocos. É um trabalho bem mais leve que o seu antecessor e foca praticamente nos violões ao invés das guitarras. Obviamente, o nível de Kiske como vocalista elevou as músicas a outro patamar, com um profissionalismo absurdo. O álbum também traz um tom mais amargo nas letras, com críticas sobre o interesse apenas comercial das gravadoras e também no método adotado pela maioria de nós para viver em sociedade.

Faixas de destaque: "Ban’em", as excelentes "Phillistine City" e "Watch Your Blue" - o momento mais rock, a bela balada "Out Of Homes", "Easy" - balada densa e com destaque para o vocal brilhante de Kiske, e "Shadowfights" - com bela orquestração e melodia. 

Apesar de não ser indispensável, "Readiness to Sacrifice" mostra o talento de Kiske como compositor e tem ótimos momentos.

Após este lançamento, Michael Kiske retornaria à cena metal em 2001, resgatado por Tobias Sammet para o projeto Avantasia. Depois, tentaria voltar ao rock (não metal) com uma nova banda: Supared, que também não conseguiu muita atenção, mas o disco até que me agrada.

Tracklist:

01 – Could Cry
02 – Ban’em
03 – Philistine City
04 – Crosstown
05 – Where Wishes Fly
06 – Watch Your Blue
07 – Out of Homes
08 – It
09 – Easy
10 – Shadowfights

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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