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Resenha: The Black Crown (2011)

Álbum de Suicide Silence

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Para fugir do habitual

Autor: Vitor Sobreira

25/03/2020

Em 2011, o Suicide Silence chegava ao seu terceiro disco de estúdio ‘The Black Crown’, que amparado por consideráveis resultados anteriores, começou a conquistar os seus próprios méritos. Segundo estimativas, vendeu um pouco mais de 14 mil cópias, apenas nos EUA, logo na primeira semana de lançamento. Está achando pouco? Então lembre-se que nessa época, os downloads (é, aquele download camarada mesmo, que todos nós até hoje fazemos!) já estavam comendo solto há anos. Ainda em tempo, como curiosidades, este foi o último álbum a sair pela Century Media Records, bem como foi o último com o vocalista Mitch Lucker, que faleceu no dia 01 de novembro de 2012 em decorrência a ferimentos graves após um acidente de moto.

Caso o leitor esteja aqui por mera coincidência e mal sabe do que se trata o som do Suicide Silence, aviso que aqui em nada tem a ver com o estilo primo Metalcore, já que a abordagem é incomparavelmente mais agressiva e sem o apelo comercial (se o tinham nos outros álbuns, não sei).

A abertura com “Slaves to Substance” demonstra como o trabalho será, com diversidade, muito peso e produção coerente, mas ainda sim nada que me faça prestar muita atenção nesse estilo musical. Para apreciadores, sem dúvidas é um prato cheio a ser devorado com avidez. Em “O.C.D.” confirmamos que os vocais de Mitch não deixavam pedra sobre pedra, apenas causando leve susto com algumas palavras cantadas de maneira limpa e sussurrada – porém, nada daquela baboseira desnecessariamente exagerada que acaba sendo uma das principais características do “estilo primo”.

“Humam Violence” começa com breves sons ambientes bem manjados de algum cabo sendo plugado em algum instrumento e uma bateria começando a ferver. Levadas mais rápidas são margeadas por doses incontroláveis de algo mais grooveado e ameaçador (sinta os riffs sendo martelados, apenas isso!). A não menos sanguinolenta “You Only Live Once” chega na sequencia, inserindo mais elementos de Death Metal aqui e ali, muito embora o pessoal do departamento rítmico não deixe de lado as batidas calculadamente mecânicas, que não permitem com que esqueçamos o estilo que praticam.

Apesar do título bem pouco sugestivo, mas de certa forma expressivo, “Fuck Everything” não causa a mesma sensação de curiosidade que as anteriores e seus 4 minutos demoram a passar. Em contra partida, a curta “March To The Black Crown (Interlude)” – que o próprio título indica como um interlúdio -, consegue consideravelmente soar interessante com seu clima quase apocalíptico nos instantes finais.

‘The Black Crown’ contou com a participação especial de três convidados nos vocais. O primeiro deles é Jonathan Davis (Korn) na diferenciada “Witness the Addiction” (convenhamos: ninguém merece um trabalho repetitivo), com interessantes toques sombrios. Em seguida temos Alexia Rodriguez (Eyes Set to Kill) na imprevisível e louvável “Cross-Eyed Catastrophe”, e por fim “Smashed”, que traz novamente os explícitos elementos Death, até porque nos vocais está Frank Mullen (à época no Suffocation). Curiosamente, aquele citado interlúdio aparentou desempenhar um papel mágico no tracklist, que já estava esbarrando no enfadonho, mas fez com que as composições voltassem aos trilhos.

Felizmente, o trabalho passa rápido e quando menos se espera nos deparamos com “The Only Thing That Sets Us Apart” – mais densa e obscura – e “Cancerous Skies”, que mesmo sem tantos atrativos, como as anteriores, se saiu bem na função de encerramento.

Pois é meus amigos, os dias estão difíceis com esses problemas enfrentados não apenas por nós aqui no Brasil, mas por diversos outros países ao redor do mundo, porém, nada como uma audição bastante curiosa e no fim das contas, com pontos bastante positivos – mais do que o imaginado, antes de sequer dar o play na primeira faixa -, para tentar manter a mente ocupada e sem mais tantas preocupações (além das necessárias)… Enfim, um trabalho indicado para quem quer sair um pouco do habitual ou simplesmente ouvir algo do tipo, mas com qualidade!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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