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Resenha: Legal At Last (2020)

Álbum de Anvil

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Se soar diferente estraga!

Autor: Diógenes Ferreira

25/03/2020

Costumo dizer que se tem uma banda que podemos chama-la de operários do Heavy Metal, essa banda é o Anvil. Erguendo tijolos há mais de 30 anos para construir uma carreira digna, sem nunca desistir de seu sonho de viver do Heavy Metal, mesmo com todas as dificuldades e percalços ao longo dos anos, mantêm-se firmes na sua proposta sempre tocando com gosto e sorriso no rosto, se misturando ao seu público. Quem já teve o prazer de conferir os caras ao vivo, sabe da simplicidade, carisma e diversão que é assistir um show do Anvil e poder ouvir uma banda tocando o que sabe sem querer ser a maior banda do mundo, apenas divertir seu público com Metal e letras sarcásticas sempre bem sacadas, com bom humor de seus integrantes, sendo apenas headbangers tocando para headbangers. A dupla de batalhadores não só do Metal mas da vida, Steve Lips e Robb Reiner desde o final dos anos 70, início de 80, mantém a amizade e paixão de tocar seu som, seja para dez ou milhares de pessoas, seja num cubículo ou num grande festival, sempre pelo prazer de tocar e se divertir, ainda mais agora que depois de décadas, parecem ter encontrado um terceiro integrante perfeito, o maluco, simpático e engraçadíssimo Chris Robertson, que entrou na banda em 2016 no álbum Anvil is Anvil, tendo encaixado como uma luva não só no lado musical (o cara é um excelente baixista) como também no espírito do Anvil, sempre com caras e bocas hilárias divertindo a plateia e solícito com o público. Falar da discografia do Anvil é informar que álbuns como ‘Hard n’ Heavy’, ‘Metal on Metal’, ‘Forged in Fire’, ‘Strength of Steel’, ‘Speed of Sound’, ‘Back to Basics, ‘Hope in Hell’ e todos os outros sempre mantiveram uma regularidade, nunca alcançaram o mainstream ou sucesso de vendagens, mas conseguem se manter no underground com discos que trazem o básico do que se espera do Heavy Metal e com esse novo álbum, o 18º na carreira, não é diferente.

“Legal At Last” abre o álbum que leva seu nome com toda a energia que é peculiar ao Anvil, seguida de “Nabbed in Nebraska” que lembra a pegada de algumas canções dos álbuns do U.D.O. dos últimos dez anos. “Chemtrails” vem com timbres saturados e potência pra agitar os bangers, enquanto que “Gasoline” mostra uma sonoridade Sabbática, arrastada que vez ou outra aparece nos discos do Anvil. “I’m Alive” mostra-se altamente Rock n’ Roll lembrando até Rose Tattoo, já “Talking to The Wall” traz riffs abafados com um refrão simples pra você repetir. A faixa “Glass House” joga um riff bem bacana aliado a bateria sempre destacada de Robb Reiner. “Plastic in Paradise” é mais uma arrastada do disco nos moldes Saint Vitus e Pentagram. Depois temos “Bottom Line” energizando novamente o disco, seguida de “Food For The Vulture” que vem pra quebrar tudo com riffs certeiros e cozinha detonando. “Said and Done” retorna a uma sonoridade mais moribunda e sabática total, até que vai acelerando seu andamento no solo, para depois a rápida “No Time” encerrar o álbum.

Os fãs do Anvil sempre já sabem o que esperar da banda, nenhuma inovação, nenhuma modernidade, nenhuma tentativa de se encaixar comercialmente em alguma tendência. O Anvil sempre vai ser isso, uma banda de operários do Heavy Metal cru, simples, tosco que faz o que sabe fazer e tem orgulho disso. Eu particularmente como fã da banda não me importo nem um pouco com a repetição de seus álbuns, como um AC/DC por exemplo, sempre com a impressão de estar gravando o mesmo álbum, mas é exatamente isso que os fãs querem ouvir deles, se soar diferente, estraga. Anvil é Anvil!


Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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