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Resenha: L’isola di Niente (1974)

Álbum de Premiata Forneria Marconi

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Um clássico do prog italiano!

Autor: Márcio Chagas

24/03/2020

No inicio dos anos 70 o Premiata Forneria Marconi, ou PFM, era uma das maiores, senão a maior banda de rock da Itália. O grupo, com dois discos lançados, havia terminado de realizar uma grande turnê pela Europa, com a inclusão do quinteto na lista da Billboard americana, algo impensável para uma banda estrangeira na época.

Com este espírito vitorioso, o grupo, que na época era formado por Franz Di Cioccio - bateria, Franco Mussida - guitarra e vocais, Mauro Pagani - violino e flauta e Flavio Premoli - teclados e vocais. se preparava para gravar seu terceiro álbum quando ocorreu a primeira baixa na formação: 

Com a saída de Giorgio Piazza, o grupo começou a procurar um baixista que cantasse e tivesse maiores habilidades técnicas no instrumento. Foi quando Franz e Mauro passeando por Rimini, conheceram jan Patrick Djivas, baixista Francês que havia se naturalizado italiano e que tocava uma Jam no clube L´Altro Mondo. Djivas tocava no Area, banda de rock experimental,  possuía grande admiração pelo jazz e era hábil em seu instrumento. 

O músico pareceu perfeito para a dupla e coube a Franz convida-lo para fazer parte do PFM. Entusiasmado com uma carreira internacional, o músico acabou aceitando o convite, e partiram para Londres para a gravação do próximo disco.

“L´Isola di Niente” é musicalmente mais bem estruturado e acabado que seus trabalhos anteriores, trazendo novas influências de jazz, fusion e algumas experimentações diferenciadas dentro do estilo, como o coral da academia Paolina de Milão, que aparece cantando nos primeiros dois minutos da faixa titulo que abre o álbum. O coral se inicia a capela e é bastante influenciado por canto gregoriano e medieval, algo realmente diferente e ousado para a época. A guitarra de Mussida só aparece após 2:30 minutos juntamente com os vocais. É um tema longo, com várias mudanças de andamento  características do estilo. O baixo pulsante mostra que o grupo acertou na escolha de Djivas para o posto;

O segundo tema,  “Is My Face to Straight” é o único cantado em inglês, com letras de Peter Sinfield. É um bom tema, com destaque para a belíssima flauta de Pagani. Aqui já é possível perceber uma contribuição mais acentuada do novo baixista, com linhas mais complexas e técnicas além de passagens jazzy. A utilização de um acordeon, instrumento pouco usual dentro do estilo no final da canção é mais uma prova de que o grupo rompia com o lado tradicional do estilo, se dispondo a arriscar;

“La Luna Nova” é calcada no violino sinfônico de Pagani e nos teclados do mestre Flávio Premoli.  Um dos temas mais bonitos do grupo. Um bom exemplo de técnica aliada ao sentimento com grandes mudanças de andamento e uma evolução constate até seu final;

A  balada lírica “Dolcissima Maria” é uma das músicas mais belas de todos os tempos. Extremamente poética, talvez seja a mais conhecida do grupo, tendo atravessado o nicho prog quando foi regravada pelo cantor brasileiro Renato Russo;

Encerrando o curto álbum tem “Via Lumiere”, que considero a melhor do disco. Um tema sincopado fortemente influenciado por King Crimson com ecos de fusion, no estilo Return to Forever. O novo baixista se sente bem à vontade no tema, que tem uma mudança abrupta de andamento, ganhando contornos mais progressivos em seu final.”

 Uma versão em inglês do álbum, denominada  “The World Became the World , foi gravada na mesma sessão, trazendo letras de Sinfield e visando o mercado americano. Porém não supera a versão original.

O álbum foi lançado em 1974, e o grupo seguiu para sua primeira turnê americana onde seria gravado “Cook” seu primeiro ao vivo oficial.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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