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Resenha: The Raven That Refused to Sing (And Other Stories) (2013)

Álbum de Steven Wilson

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Um dos melhores discos de rock progressivo do século XXI

Autor: Tiago Meneses

24/03/2020

The Raven That Refused To Sing (And Other Stories) é daquele tipo de álbum que ao ouvir pela primeira vez, eu não consegui falar o que achei, mas não digo isso no sentido de ficar na dúvida se gostei ou não, mas simplesmente porque ele me deixou mudo por um tempo, tamanho o seu impacto positivo sobre mim. 

No geral o álbum apresenta melodias memoráveis para cada uma de suas músicas. É fácil perceber que muitas de suas melodias apoiam-se na Porcupine Tree. Steven também faz questão de apresentar algumas complexidades no que diz respeito aos segmentos musicais, do começo ao fim, com mudanças de estilos e andamentos, além de excelentes trechos de transição em segmentos silenciosos entre as faixas. As harmonias encontradas no disco são ótimas. Entre ritmos e estilos diferentes entre as faixas, ou mesmo dentro de uma mesma delas, há muitas mudanças de estilo. O álbum é extremamente sólido do começo ao fim. 

"Luminol" começa com linhas sólidas e poderosas de baixo, levando a música para um ritmo dinâmico e otimista. É como se estivéssemos ouvindo uma música de metal progressivo, mas sem o riff de guitarra. A inclusão do trabalho de flauta também deve ser mencionado, pois torna a música mais rica em texturas. “Luminol” muda de um segmento pra outro de forma brilhante. Antes dos vocais entrarem pela primeira vez, ela basicamente silencia e flui de maneira belíssima. Uma arrepiante faixa de abertura.  

"Drive Home" apresenta um estilo melancólico, com a linha vocal ambiente que o Steven sabe fazer tão bem e que torna tão interessante de apreciar a sua música. O violão que acompanha a voz é excelente. Aquele tipo de som que mostra que por mais que estejamos falando da carreira solo de Wilson, é difícil de não notar reminiscências na sua música em relação ao som apresentado pela Porcupine Tree. Tem um solo de guitarra maravilhoso. 

“The Holy Drinker” é outra ótima e enérgica faixa e que também me impressionou logo de cara, assim como aconteceu com “Luminol”. As assinaturas de tempo em que Steven canta essa música são excelentes. Há alguns segmentos mais silenciosos e que foram criados para dar uma texturização de maneira rica à música. Novamente me lembrou ao Porcupine Tree, o que não tem problema alguma, tendo em vista que Steve era o principal compositor da banda. 

“The Pin Drop” começa com uma guitarra suave e espacial ao fundo e vocais melancólicos cantados com a qualidade única de Steven, até que ganha mais vigor na sonoridade. É a faixa menos progressiva do disco, mas funciona muito bem com o resto do álbum. 

"The Watchmaker" começa maravilhosamente com um violão que logo ganha o acompanhamento da voz de Wilson. Particularmente eu gosto de toda a melodia vocal que ele faz durante a faixa. Algumas suaves pinceladas de guitarra ao fundo, piano e incursões de flauta ajudam a música ir crescendo aos poucos. Ouvindo esse som me vem em mente o Genesis da era Peter Gabriel. Então que a entrada da bateria coloca a faixa em outra linha, mas sem deixar de se mover incrivelmente. O final dessa faixa é bem dinâmico, combinando baixo e guitarra na veia de do King Crimson. 

"The Raven That Refused to Sing" é a música que encerra o disco. É um réquiem no final do álbum, indicado pela linha vocal ambiental de Steven com o trabalho de piano tocado suavemente. Novamente tenho que elogiar o seu estilo de cantar. Os instrumentos vão se posicionando até que a bateria entra depois de mais de 2/3 de música, mas tudo se mantem ainda obscuro. O mellotron junto do piano deu um final incrível para o disco. 

O time escolhido por Wilson para desempenhar a música desse álbum é sensacional, como sempre costuma ser em qualquer projeto arquitetado por ele. Mas acho interessante fazer uma menção a Alan Parsons. Você precisa ouvir com atenção o álbum inteiro inúmeras vezes para encontrar e perceber o incrível nível de detalhes que ele contém, algo até normal diante das circunstâncias, afinal, foi colocado no mesmo estúdio um dos melhores produtores do mundo a surgir nos anos de 1990 em diante e um dos melhores produtores do mundo da história musical de sempre. Uma obra-prima do rock progressivo moderno que homenageia o passado com sons mais novos, mais elaborados e ótima produção. Sem a menor dúvida é um dos melhores discos de rock progressivo do século XXI.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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