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Resenha: The Sentinel (1984)

Álbum de Pallas

Acessos: 72


Disco essencial de rock progressivo dos anos 80

Autor: Márcio Chagas

24/03/2020

Nos anos 80 o cenário musical havia tomado proporções gigantescas. Mega shows e eventos de rock disputavam espaço com nomes da pop music como Madonna e Michael Jackson e o heavy metal nascia imponente ao som de Iron Maiden, Saxon e dezenas de outras bandas. Parecia não haver lugar naquele mundo para um estilo tão sóbrio e técnico quanto o rock progressivo. E neste ponto pode-se dizer que os anos 80 foram os mais duros com o estilo.

Os poucos lançamentos eram como um Oasis no meio do deserto musical em um mundo distante da internet. O Marillion começou a mudar esse cenário um ano antes, adaptando sua sonoridade ao que chamaríamos de Neo Prog. Ao lado dele, vindo da escócia, mais precisamente da região de Aberdeen, havia o Pallas.

O grupo, que contava com  Euan Lowson (vocais), Graeme Murray (baixo, guitarra, vocais), Ronnie Brown (teclados, vocais), Niall Mathewson (guitarras, vocais) e Derek Forman (bateria, percussão e vocais), havia lançando um ao vivo em 1981, porém, o debut em estúdio veio ocorrer apenas três anos depois de maneira magistral.

No que diz respeito a temática, o grupo foi ousado fazendo sua estreia com um álbum conceitual, discorrendo sobre as agruras e temores da guerra fria e um possível holocausto nuclear provocado por Rússia e EUA, com o  surgimento do novo mundo de Atlantis a partir da destruição.

Na questão musical “The Sentinel” traz um rock progressivo mais bem estruturado e adaptado aos anos 80, com músicas menores e mais dinâmicas, características do neo prog. Em termos de sonoridade, além de sofrer influências de medalhões como Genesis, Yes, Pink Floyd e até algo de Rush, havia ecos do próprio Marillion e algumas pitadas IQ e Twelfth Night.

O antigo vinil trazia uma divisão bem homogênea de estilos: do lado A faixas mais dinâmicas e diretas, embora ainda mantenha as características progressivas, como “Arrive Alive” e “Cut and Run”, com destaque para o baixo Rickenbaker pesado do fundador Graeme, e a guitarra muito bem timbrada de Niall;

O final do lado A e todo lado B é dedicado a suíte “Atlantis” dividida em varas partes e canções, com uma proeminência de teclados ainda maior e uma grandiloquência característica do progressivo ainda mais evidente como pode ser visto na faixa titulo da suíte, na arrastada e lírica “East West” e em “Ark of Infinity” que encerra o trabalho de maneira primorosa;

Outro cuidado do grupo foi a confecção da capa, que ficou a cargo Patrick Woodrofee, inglês, responsável por capas de bandas como Judas Priest, Greenslade e Budgie.  Neste trabalho o artista criou uma concepção artística muito próxima do que fazia Roger Dean (Yes), mas dentro de uma ótica bem pessoal, conseguindo realizar um de seus melhores trabalhos de todos os tempos

“The Sentinel”, produzido pelo mago Eddie Offord (Yes, Emerson, Lake & Palmer), foi lançado em 1984 e ajudou não só a consolidar o nome do grupo junto aos amantes do progressivo, mas a manter vivo o próprio estilo naquela década, sendo relançado anos depois em CD com a mudança de ordem em algumas faixas. Prefira o relançamento feito em 2006 pela gravadora Inside Out, que apresenta o disco em digipack maior que o normal, encarte com muitas fotos, posters, cards e vasto material de bônus.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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