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Resenha: Another Perfect Day (1983)

Álbum de Motorhead

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Entre os novos caminhos

Autor: Fábio Arthur

23/03/2020

Quando Motörhead se viu sem seu guitarrista Eddie Clark (R.I.P.), a coisa mudou de figura. Tendo que ir adiante e com um legado perfeito, o grupo chegou ao sexto trabalho de estúdio e com fome de continuar.

Clarke já havia saído do grupo, voltado, dado problema nas tours e sempre ameaça Lemmy (R.I.P.) de deixar o comboio à deriva. Ele fez tanto isso que um momento adiante, Kilmister se cansou e mandou o guitarrista se virar por conta; e boa sorte! Já Phil Taylor (R.I.P.) deixou o barco navegar e manteve seu posto no grupo. 

Mas agora seria diferente, Brian Robertson ex-Thin Lizzy, e fenomenal guitarrista, chegou com tudo na banda e assim mãos à obra para novas canções.

Mas o improvável não aconteceu, pois, se por um lado Brian fosse muito criativo e técnico dentro do quesito canções, as suas variações musicais não funcionaram perante um público que esperava no mínimo um novo "Iron Fist", então o recomeço estava indo na direção errada. 

Lemmy nunca entendeu o que houve com sua banda nessa fase, a crítica não adulava mais a sua banda e os fãs pareciam um pouco além de tudo isso.

Sem dúvida eles fizeram turnês e obtiveram apoio de fãs ardorosos e sim vincularam vídeos para MTV e acabaram por entrar em conflitos internos com Brian. 

A situação foi bem até antes do disco denominado de "Another Perfect Day" e que se outrora no final da "Iron Fist Tour", Brian agradava um pouco, com as novas faixas ele trazia um gosto amargo dos fãs. 

O disco tem cara de Motörhead, com algo bem mais evolutivo em termos de arranjos, solos e riffs. Assim, a coisa passou a ficar pior durante a tour, quando Brian foi hostilizado e em partes por usar um traje fora da linha do grupo - que era um shorts ou calças jeans brancas, além de seu lenço amarrado na testa e outros artefatos. Depois disso, o próprio Brian fazia conversas de leva e traz para o backstage e, para terminar, o mesmo se recusava a tocar os clássicos do grupo e focava no disco novo. Isso aniquilou o grupo ao vivo.

De fato foi primeiro e único com Brian na banda. Mas enfim, o disco, além da bela arte, traz um conjunto bom de faixas e é preciso que se diga que, nos últimos anos, Lemmy colocaria muito desse álbum no set list.

"Back to the Funny Farm" abertura estilo Motörhead antigo da o primeiro ponta pé. "Shine" é diferente, mas tem um swing e melodia acertada e bom gosto, meio rocker. "Dancing on your Grave" traz algo mais melodioso, e "Rock It" mantém a pegada do grupo sendo certeira. "One Track Mind" é ponto alto desde os vocais, letra e solos, a cadência se faz presente e forte. "Another Perfect Day" também soa coesa e "I Got Mine" surge na linha mais rocker do disco e sem perder qualidade. 

Um álbum que faz um balanço na carreira da banda e traz a mudança de época sem soar fraco. 

Me agrada e muito esse petardo.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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