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Resenha: Instant Clarity (1996)

Álbum de Michael Kiske

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O início do afastamento entre Kiske e Helloween

Por: André Luiz Paiz

23/03/2020

O que esperar de Michael Kiske em carreira solo, após ter sido demitido do Helloween e acusado pelos demais membros como principal responsável pela mudança de sonoridade e consequente rejeição do álbum "Chameleon", do Helloween? Quem pensou que daria errado ou que teríamos algo que soasse parecido em termos de abordagem, se enganou.

"Instant Clarity" é o debute de Kiske como artista solo. E é um álbum com música boa de sobra! A participação de grandes nomes e também amigos do cantor contribuíram e muito para o sucesso que foi este trabalho. O disco conta com ninguém menos que Kai Hansen e Adrian Smith!

O disco abre com duas faixas espetaculares, mostrando Kiske em uma forma vocal absurda. Confira "Be True to Yourself" e "The Calling" e tire as suas conclusões. Alías, aqui já dá pra concluir também que o baixista Jens Mencl faz bonito neste disco. E como é bom ouvir os riffs de Adrian Smith. Após o momento hard de abertura, temos duas belas e suaves baladas, "Somebody Somewhere" e "Burned Out", que esfriam um pouco, mas sem perder a qualidade. Pra nossa sorte, temos o petardo "New Horizons", power metal composto por Smith, Kiske e Hansen. Sem mais...
Seguindo adiante, temos a hard rock "Hunted", que não brilha tanto, apesar de soar diferente do que já tinha sido lançado pelo vocalista até então. Após ela temos: "Always", uma das baladas mais lindas do rock. A música é uma homenagem ao baterista Ingo Schwichtenberg (ex-Helloween), que cometeu suicídio em 1995.
Entramos agora na sequência final de faixas. A primeira dela é "Thanx a Lot!", um rock alternativo estranho e só o vocal do refrão salva. Depois, temos a rock acústica "Time's Passing By", que soa muito bem. Belíssima melodia. "So Sick" é exatamente o mesmo caso de "Thanx a Lot!". Mas a letra é engraçada e o vocal do refrão é excelente. Encerrando os trabalhos, Kiske traz um pouco do seu lado espiritual - que viria a se aflorar e ser ainda mais desenvolvido adiante - para a sua música. "Do I Remember a Life?" é uma jornada reflexiva e introspectiva, em uma balada extremamente bem composta e construída. O destaque novamente é para a interpretação de Kiske, emocionante. São mais de dez minutos que passam voando.

Infelizmente, "Instant Clarity" acabou por se tornar, até o presente momento, o grande registro solo de Kiske, que viria a lidar com mais conflitos pessoais em seus demais lançamentos, afastando-se também do rock.

Mas, como hoje já sabemos o desfecho da história. Michael foi resgatado por Tobias Sammet, fez bonito com o Unisonic e está de volta ao Helloween. Então, só alegria.

Confira, pois, só de ouvir Kiske cantar, vale a pena.

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