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Resenha: Lovehunter (1979)

Álbum de Whitesnake

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Blues + hard + Soul = Whitesnake!

Autor: Márcio Chagas

21/03/2020

Em 1979 o Whitesnake era um grupo ainda em inicio de carreira, a procura de sua identidade musical e distante da mega banda que se tornaria nos anos seguintes. Depois de um EP e um bom primeiro disco, o grupo se preparava para a gravação de seu segundo álbum, uma prova de fogo para o sexteto que na época, que além do líder Coverdale contava com Bernie Marsden e Mick Moody nas guitarras, Neil Murray no baixo, John Lord Nos teclados e Dave Dowle na bateria.

Para a gravação do novo álbum, o vocalista resolveu voltar às suas raízes, alugando o Clearwell Castle, um enorme castelo no País de Gales onde o próprio Deep Purple havia trabalho em clássicos como “Burn” e “Stormbringer”. 

O grupo se dirigiu para o referido castelo acompanhando do produtor Martin Birch e entre maio e julho realizaram as gravações do que seria o novo disco.

Musicalmente “Lovehunter” traz aquela mistura homogênia que só o Whitesnake sabia fazer magistralmente. Um hard vigoroso com a energia americana do blues de raiz e aquela verve do rock inglês, como solos pungentes e robustos, amparados por arranjos muito bem estruturados.

O disco todo é bem regular, mas é interessante destacar a primeira faixa "Long Way from Home", único single do disco que chegou apenas na 55º posição dos charts britânicos, apesar do bom tema; 

"Walking In The Shadow Of The Blues" é o melhor tema do álbum, uma composição de Coverdale e Marsden que resume bem o espírito do disco, tanto na letra como nos arranjos, com destaque para o órgão pesadíssimo de Lord costurando a canção;

Tem ainda “Medicine Man”, excelente canção onde Coverdale canta em cima do riff principal, uma paulada certeira com um fenomenal trabalho de guitarras da dupla Marsden e Moody; 

E disco do Whitesnake não pode faltar balada. Além de “We Wish You Well” que encerra o disco, temos a melancólica “Help me thro the Day” uma composição de Leon Russel que fiou arrastada, claustrofóbica, com arranjo bluesy, solo de guitarra passional e aquela entonação clássica, encharcada de sex appeal de Coverdale no melhor estilo “Mistreated”;

Por fim, “Outlaw” é interessante por trazer o guitarrista Bernie Marsden nos vocais principais!

“Lovehunter” chegou às lojas em outubro de 1979, com uma das mais belas e controversas capas do grupo, desenhada por Chris Achilleos, mostrando uma mulher nua enrolada em uma enorme cobra. A idéia da capa partiu do lider e vocalista que viu a ilustração de “Sarabande” album solo de Jon Lord de 1976 e inventou de querer algo similar.

O disco ajudou o grupo a solidificar seu nome e sonoridade, com a a banda fazendo turnês ainda maiores e entrando na década seguinte com seu melhor trabalho “Ready An´Willing”.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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