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Resenha: Fingerprints (2006)

Álbum de Peter Frampton

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Frampton vem totalmente instrumental!

Por: Márcio Chagas

20/03/2020

Peter Frampton começou sua carreira ao lado de Steve Marriot no Humble Pie, conseguiu notoriedade com a banda e alcançou um sucesso ainda maior em sua carreira solo, principalmente após o lançamento do seminal “Frampton comes Alive”.

O músico viu sua vitoriosa carreira despencar após um acidente de carro quase fatal em 1978, e depois de um longo tempo se recuperando, Frampton retornou nos anos 80, mas sem o mesmo apelo de antes. Lançou bons discos sem nunca aparecer novamente na grande mídia, apesar da qualidade de seus trabalhos sempre orientados pela guitarra.

Porém, Peter considerava sua carreira incompleta, e o motivo era nunca ter conseguido lançar um álbum totalmente instrumental voltado para guitarra. E o músico tinha esse desejo desde o inicio de sua carreira no final dos anos 60.

Frampton só conseguiu colocar em prática sua ideia em 2006, quando se juntou em estúdio com sua banda que consistia no baterista Shawn Fichter, o guitarrista Audley Freed, seu melhor amigo e baixista John Regan e ainda o tecladista Rob Arthur, que juntos começaram a testar vários temas instrumentais e composições que Frampton havia levado pro estúdio.

Apesar de possuir uma banda fixa, o músico optou por trazer vários convidados em diferentes faixas. Peter também não se prendeu a um único estilo e passeou pelo rock, blues, pop surf music e até jazz. Apesar do ecletismo, o guitarrista conseguiu deixar o álbum com sua personalidade e assinatura, uma tarefa que com certeza foi árdua, mas também muito gratificante.

São 14 faixas instrumentais que vale destacar: “Cornerstones”, um blues rock “sujo”, onde Frampton conseguiu a proeza de reunir Bill Wyman e Charlie Watts, a cozinha do Rolling Stones que não tocava junta há pelo menos 15 anos! “Ida y Vuelta”, um tema latino na linha de Carlos Santana, com muito swing e um ótimo trabalho de percussão que contou com Stanley Sheldon, baixista que gravou “Frampton Comes Alive”; 

Tem ainda “Blooze”, um bluezão arrasa-quarteirão em duelo com Warren Haynes do Govt Mule; uma versão instrumental muito boa para “Black Hole Sun” do Soundgarden,, com as participações do baterista Matt Cameron e do guitarrista Mike McCready;

“Souvenirs de Nos Pères “ que fecha o álbum de maneira magistral em uma emocionante homenagem ao guitarrista de jazz Django Reindhardt; E  vale ainda a menção de "My Cup of Tea" , um tema bem na linha surf music que conta com a participação de  Hank Marvin e Brian Bennett  respectivamente guitarrista e baterista do The Shadows, e dois dos maiores ídolos do guitarrista.

‘Fingerprints” é um disco que mostra o lado técnico e versátil de Peter Frampton, e traz à tona algumas influências nunca antes mostradas pelo músico, que conseguiu demonstra-las de maneira natural e pessoal.

O álbum foi lançado em setembro de 2006 e arrebatou um Grammy de melhor álbum pop instrumental. Com certeza deve ter deixado o guitarrista orgulhoso e completamente realizado.

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