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Resenha: Play Well With Others (2018)

Álbum de Phil Collins

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Todas as batucadas de Phil Collins!

Por: Márcio Chagas

14/03/2020

Que Phil Collins teve uma carreira vitoriosa e milionária, tanto em sua discografia solo quanto a frente da fase pop do Genesis é notório mesmo entre quem não aprecia a fundo a música do baixinho. Porém muitos não conhecem ou ignoram que Collins é um grande baterista, e em minha opinião um dos cinco melhores do mundo.

Com uma técnica apurada, um senso de ritmo único e uma versatilidade difícil de encontrar, não era raro que Collins fosse convidado a participar de gravações dos mais variados artistas de todas as vertentes, tocando em álbuns inteiros ou apenas em participações esporádicas em algumas faixas.

Suas atuações como session man se tornaram maiores quando John Anthony, renomado produtor do Genesis identificou essa versatilidade rítmica de Collins, e sendo admirador de seu talento o convidava para participar de inúmeros trabalhos que produzia das mais diferentes vertentes musicais. 

Para Phil, aquilo era puro entretenimento: “Nós costumávamos ir ao Trident Studios à meia-noite, apenas pela diversão de tocar, e ir para casa às seis ou sete da manhã. Eu gostava de apenas tocar e, ocasionalmente, ser pago por isso e não o contrário. Não foi por dinheiro, foi apenas pelo prazer de tocar”.

Nos anos 80 e 90, durante as pausas de turnês e gravações como Genesis, não era raro que Phil caísse na estrada acompanhando algum colega apenas atrás dos tambores, se divertindo como músico de apoio. Isso sem contar quando viajava com sua banda solo e dividia a bateria com Chester Thompson como fazia com o Genesis.

Aliás, o titulo da coletânea é uma brincadeira ocorrida há alguns anos, quando Chester  presenteou Phil com uma camiseta contendo frase  “Play Well With Others”, exaltando a pluralidade do músico e o fato de estar sempre a disposição para tocar com quem fosse.

Com um vasto e eclético material, o músico resolveu lançar um Box com quatro CD´s cobrindo sua carreira como baterista, dividido cada disco por uma determinada década e trazendo à tona algumas de suas melhores e mais obscuras gravações. São temas que vão desde sua fase pré Genesis, com "Guide Me, Orion" de seu primeiro grupo Flaming Youth,  passando pelo fusion complexo e instrumental do grupo de jazz rock Brand X que Phil integrou naquela década e ainda participações nos trabalhos solos do líder do King Crimson Robert Fripp, seu ex colega de banda Peter Gabriel e Brian Eno.

O disco dois, que engloba 1982-1991 é o mais eclético, mostrando Collins ao lado de artistas tão díspares como o eterno vocalista do Led Zeppelin Robert Plant, em que Collins dividiu os tambores com o inigualável Cozy Powell;  Paul McCartney , Tears for Fears, o grupo disco Chaka Khan e até o jazzista AL di Meola.

No terceiro disco cobrindo os anos entre 1991-2011, mostra Collins com status de mega-estrela, apresentando projetos ao lado dos maestros Quincy Jones e George Martin, mostrando que se sai bem ao lado de Big Bands. 

No quarto e último disco, temos apresentações ao vivo entre 1981-2002, com bastante espaço para improviso e para Phil mostrar seu talento como baterista, como em “Birdland” ao lado do pianista Joe Zawinul e da Buddy Rich Big Band; “Stormy Weather”, ao lado de Quincy Jones e orquestra e “Layla” com Eric Clapton e banda.

Esta coletânea tem o intuito de apresentar Phil como baterista de estúdio, acompanhando as mais diversas vertentes musicais do jazz ao pop rock, portanto, com exceção do quarto volume, não espere um trabalho voltado para a apresentação de bateria e técnicas similares.

Ainda assim, “Play Well With Others” é um trabalho interessante e extraordinário, uma vez que o músico sempre trabalhou e colaborou com artistas de excelente nível musical não importa o estilo musical apresentado. O Box vem acompanhando de um livreto com várias fotos e declarações do próprio baterista e dos músicos com quem gravou as canções.  Um item indispensável para quem curte o lado rítmico de Phil.

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