Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Bloom (2015)

Álbum de Caligula's Horse

Acessos: 227


Composições e produção excelentes, execução instrumental impecável

Por: Tiago Meneses

13/03/2020

Em 2013 a Caligula’s Horse havia lançado o seu espetacular The Tide, the Thief & River's End, isso deixou a tradicional interrogação na cabeça de muita gente que acompanhava a banda (e que me incluo), queríamos saber se em seu álbum seguinte o grupo manteria o nível, ou seus poderes criativos eram do tipo que não se renovavam. E foi com muita alegria que ao ouvir Bloom pela primeira vez eu vi uma banda disposta em amadurecer, crescer e expandir o seu vocabulário. Tudo no álbum tem o seu lugar e cada detalhe é preenchido perfeitamente. As composições e a produção são excelentes, a execução instrumental não é nada menos do que impecável. Tudo isso sob os vocais de Jim Gray que estão majestosos como sempre.  

“Bloom” começa com um suave e pastoral violão acústico que logo ganha companhia do timbre delicado de Jim Gray. Não é um começo de música diferente do que já foi visto nos dois discos anteriores. Próximo da metade a música ganha uma bateria lenta e um solo de guitarra bastante emocional. A banda então muda de direção para uma linha mais enérgica, guitarras com ótimos riffs, baixo estridente e bateria esmagadora. Ainda sobre as guitarras, o trabalho de guitarras gêmeas de Zac Greensill e Sam Vallen é ótimo e atingem um equilíbrio perfeito com a voz de Mr. Grey. 

“Marigold” já começa emendada com a faixa anterior, pegando assim, pega carona no peso com que “Bloom” termina. Os riffs são nitidamente inspirados em Opeth. É bastante pesada e crua, os riffs e os vocais são super atraentes, principalmente os refrãos que ficam presos na sua cabeça pelos próximos dias, onde a única cura é ouvir um pouco mais.

“Firelight” é uma homenagem a um amigo falecido de Grey através de uma música de melodia tocante e mais suave do que as faixas anteriores. Particularmente algo que me atrai muito nessa música são suas linhas de baixo que se movimentam muito bem. É certamente uma faixa de linha comercial. É também bastante simples em termos de acordes, mas uma ótima música. 

“Dragonfly”, com quase dez minutos é a música mais longa do álbum. Na primeira metade a faixa possui uns vocais de improvisação inspirados em Jeff Buckley. Os vocais esvoaçantes flutuam sobre seções limpas de guitarra. Por volta da metade da música há um solo de guitarra excelente. Tudo é bem encaixado nessa música, guitarra, baixo, bateria, vocais e algumas camadas de teclado às vezes apenas para acentuar a harmonia da música. Esta é uma faixa que exemplifica muito bem todas as melhores qualidades da banda. 

“Rust” apesar de ter um refrão que eu achei meio fraco, ainda é uma música muito boa e empolgante. Traz novamente os elementos mais pesados da banda. “Rust” não soa como uma surpresa no fluxo do álbum, digamos que ela se encontra exatamente onde deveria estar. Possui aquele tipo de variação costumeira na banda, onde em uma faixa existem ondas de alto e baixo, pesado e leve, emocional e seco. 

“Turntail” é provavelmente a faixa mais comercialmente acessível da banda até hoje. A linha de guitarra me faz lembrar algo que eu ouviria em disco do Plini ou Polyphia. Dentro da sua simplicidade, possui um belo solo de guitarra e melodias que transmitem perfeitamente as emoções da letra. Possui muitos detalhes e uma perfeita harmonia entre os instrumentos. 

“Daughter of the Mountain” foi uma música que me enganou na primeira escuta, pois não me pareceu muito boa, mas foi apenas uma falsa primeira impressão mesmo, afinal, ela é ótima. O mix de instrumentos tão conectados de uma maneira que o Haken, por exemplo, também faria, mas claro, sem perder a assinatura própria da banda. Combinam muito bem todos os elementos melódicos e também mais agressivos. 

“Undergrowth” é a faixa mais curta do álbum com quase três minutos. É uma peça acústica muito bonita. A interpretação de Grey está linda, cheia de todo o drama e variação que eu adoro nesse tipo de som. 

“City Has No Empathy (Acoustic)” não é um material completamente inédito, mas apenas uma regravação agora no formato acústico da faixa de abertura do primeiro disco da banda. Ela se conectou perfeitamente a esse álbum e manteve bem o fluxo até o final. 

Caligula's Horse nessa última década mostrou ser a maior força do metal progressivo/alternativo da Austrália, e tem cada dia mais feito sua música chegar mais longe. Ainda que exista uma coisa aqui ou ali que não me deixa vê-lo como impecável, ele é excelente, oferecendo uma maravilhosa experiência musical com zero filler.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.