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Resenha: It's Five O'Clock Somewhere (1995)

Álbum de Slash's Snakepit

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Provando que é bom estar vivo

Autor: Diogo Franco

12/03/2020

Em 95, com o Guns n' Roses em crise existencial após o péssimo The Spaghetti Incident?! e o relacionamento entre os membros esfarelando, Slash mostrou algumas dessas canções a Axl Rose. O temperamental vocalista recusou, e então o guitarrista bagaceiro não se fez de rogado e chamou Matt Sorum e Gilby Clarke (ambos ainda no Guns), Mike Inez (do Alice In Chains) no baixo e Eric Dover (do Jellyfish) para os vocais e começou a gravar essas canções. No meio das gravações, Axl ligou para Slash e disse que aproveitaria algumas de suas canções, e quando foi informado de que já havia outro projeto em andamento, novamente se estranhou com o guitarrista, o que culminou em sua saída do Guns n' Roses. 

Para a turnê desse disco foram chamados Brian Tichy e James Lomenzo (para a bateria e o baixo, respectivamente), ambos do Pride & Glory, de Zakk Wylde, já que, segundo o próprio Slash, o Alice In Chains também estava em crise na época, e era importante que Matt Sorum permanecesse no Guns naquele momento. 

Musicalmente falando, é impossível não pensar em como essas canções ficariam na voz de Axl, já que até o teor das letras tem tudo a ver com a ex (e agora atual) banda do guitarrista. A abertura fica por conta de Neither Can I, um blues denso e pesado, com gaitas (participação de Teddy Andreadis, o mesmo que tocou com o Guns em Bad Obssession) e Dizzy Reed (tecladista você sabe de quem). Dime Store Rock vem em seguida com um riff característico do cara da cartola, mas o vocal nos faz sentir falta de Axl Rose e seus agudos. Beggars & Hangers-on fez bastante sucesso no Brasil, devido ao seu clipe rolando na MTV, e é uma canção boa e que reflete bem o que seria o hard rock dos anos 90. Good To Be Alive tem um solo nervoso de Slash logo no início, com uma letra mostrando um cara sortudo em ter escapado com vida dos excessos que viveu. A coisa segue no mesmo clima por todo o disco, com baixo e bateria extremamente coesos, sendo o vocal o único ponto a desejar, talvez porque na época as comparações com o Guns e Axl fossem inevitáveis, pois ouvindo hoje até que não soa tão insuportável. Ainda como destaque, temos duas faixas que merecem atenção: A balada Back and Forth Again, uma excelente canção nunca executada nas rádios, e Lower, com uma atmosfera pesada lembrando o Alice In Chains (curiosamente, Mike não compôs essa canção) e letra falando sobre suicídio.  Muito se comentou sobre essa canção na época, dizendo-se referir ao suicídio de Savannah (conhecida atriz pornô que namorou Slash e se matou após um acidente mutilar seu corpo). Slash afirmou que citava indiretamente o suicídio de Kurt Cobain, cometido um ano antes. 

Esse disco mostra Slash em fase inspirada como compositor, e os anos provaram que se fosse um disco do Guns estaria no mesmo patamar dos clássicos da banda. Uma pena que esse disco hoje seja esquecido pela maioria de fãs do guitarrista, pois esse é um trabalho visceral, criativo, totalmente contra a maré e, se formos levar em conta o Chinese Democracy, dá pra notar que Axl não devia estar bem da cabeça quando recusou essas canções.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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