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Resenha: Heartbreaker (1972)

Álbum de Free

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Uma linda despedida

Autor: André Luiz Paiz

11/03/2020

Sim, infelizmente, em 1973 e após apenas cinco anos de duração, o grupo Free chegava ao seu precoce final. Com a saída do excelente baixista e compositor Andy Fraser, os fãs não sabiam muito o que esperar de "Heartbreaker", álbum derradeiro do Free. Para nossa grata surpresa, temos aqui um dos melhores álbuns já lançados pelo grupo e também um dos meus favoritos.

Além de Fraser, seguiam os problemas com o guitarrista Paul Kossoff que, neste trabalho, foi creditado como músico adicional e pouco se sabe qual o tamanho da sua contribuição. Em contrapartida, do outro lado havia Paul Rodgers, crescendo absurdamente como compositor e levando praticamente nas costas o lado criativo da banda. Isso sem contar a sua maravilhosa participação como vocalista.

Abrindo com uma das mais conhecidas da banda, "Wishing Well", já coverizada por muitos, é clássica e empolgante. Simplesmente perfeita e uma das melhores do grupo. Mas, como "Heartbreaker" não é só isso, "Come Together In The Morning" chega comprovando e se colocando como uma das melhores da carreira do grupo. Uma bela balada melancólica e que conta com lindo trabalho de guitarras. "Travellin’ in Style" traz o lado mais pop da banda, que Rodgers carregaria consigo mais adiante no Bad Company. Encerrando a primeira metade, "Heartbreaker" é um blues fantástico e característico da banda.
Seguindo adiante, temos duas ótimas faixas: a balada "Muddy Water" e "Common Mortal Man", dois grandes destaques. Por fim, "Easy on My Soul" e "Seven Angels" encerram o trabalho (e a carreira do Free) com menos destaque que as demais, mas ainda sim com qualidade.

Pouco depois do lançamento, Kossoff deixou o grupo e não participou da pequena turnê de divulgação. Para seu lugar, foi recrutado Wendell Richardson. Lançou o álbum Back Street Crawler, em 1973, e depois formou o grupo sob o mesmo nome. Porém, foi logo vencido pelas drogas, falecendo em 1976.
Para evitar transtornos de mudanças de formações e novas reestruturações, Rodgers e Kirke seguiram uma nova estrada de sucesso, deixando o Free no passado e formando o supergrupo Bad Company, ao lado de Mick Ralphs (Mott the Hoople) e Boz Burrell (King Crimson). Já Andy Fraser chegou a tocar com o Sharks e lançar discos solo, mas acabou trabalhando apenas como compositor contratado. O baixista faleceu em 2015.

Para nossa sorte, a discografia da banda está eternizada e disponível para curtir a qualquer momento. Quem é fã de boa música, precisa conhecer o Free.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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