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Resenha: Moontan (1973)

Álbum de Golden Earring

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Indispensável para quem gosta de hard rock no seu período mais clássico

Autor: Tiago Meneses

10/03/2020

Seria a Golden Earring a banda no mundo mais antiga em atividade? Já cheguei a ver afirmações que a colocam nessa condição, eu sinceramente não sei se é verdade, mas sei que o grupo já tem bons anos de estrada, sendo formado lá em 1961. Com tanta história e discos nas costas, será que ela poderia ser chamada de a maior banda de rock da Holanda? Olha, por mais que o meu lado de amante do rock progressivo me faça pensar no Focus, acho que esse título ficaria melhor com a Golden Earring mesmo.

A banda ao longo dos seus muitos anos de existência sempre conseguiu manter sua popularidade em muitos países europeus. No entanto, pelo que já li em alguns lugares, mesmo fazendo um hard rock clássico de qualidade, sempre foi amplamente ignorada pelo público estadunidense. Mas se por um lado isso pode ter sido ruim e a banda não atingiu com força o mercado do outro lado do oceano, por outro talvez ficar longe dos holofotes nos Estados Unidos tenha permitido que a banda seguisse seu próprio caminho e criasse músicas sem ter que atender ao mercado americano, como muitas outras bandas foram forçadas a fazer. De qualquer forma, ironicamente a música criada pela banda sempre foi justamente aquele tipo que a América abraçava, ou seja, um rock puro e honesto, que reconhece, mas nunca cede as tendências. 

Se Moontan é o melhor disco da banda é algo completamente discutível, o que não se pode discutir é que ele se trata do mais conhecido e bem sucedido trabalho do grupo. Com Moontan a banda entrega praticamente o que a maioria das pessoas esperam de um disco de rock orientado para guitarra e gravado nos ano 70, coisas como ótimos riffs de guitarra, pirotecnia musical, momentos musicais estendidos, refrãos matadores e pouca virtuosidade. Real é que o disco mostra uma banda que nunca perde a visão do fato de que o rock deve ser divertido, e como resultado disso, cada uma das faixas é absolutamente vital para o equilíbrio e a vibração geral do álbum. 

“Candy's Going Bad” já começa o disco com um riff muito bom de guitarra construído com wah wah. O refrão é incrível, muito cativante e cheio de som. Os teclados e as linhas de baixo não apenas preenchem, mas reforçam a faixa muito bem. Segue agradavelmente agitada até pouco antes do segundo terço de duração, quando então se transforma em uma música psicodélica guiada principalmente por piano. 

“You Receiving Me” é certamente um dos destaques do álbum. Os refrãos são muito bons, particularmente sempre gostei do uso de trompete em músicas desse espírito rock and roll, acho que ele acrescenta pompa até no que já é bombástico, como foi aqui. Também possui uma longa passagem instrumental que eu achei ótima e é extremamente viajante. 

“Suzy Lunacy (Mental Rock)” eu confesso que alguma coisa nela me fez não curti-la inicialmente, mas depois apesar de ainda acha-la o momento mais fraco do disco, comecei a apreciar o som. Uma guitarra bluesy , um piano meio “bêbado” e um baixo trêmulo conduzem a música. Tem sim umas falhas, mas não é uma música ruim, até gosto, só que está abaixo das demais. 

“Radar Love” é a música mais conhecida da banda, responsável por levar o som da Golden Earring à pessoas que jamais a conheceriam se não fosse por ela. Um típico rock clássico com influências em bandas como Steppenwolf e The Doors. Apesar de às vezes parecer meio repetitiva (e com isso eu achar que ela acaba sendo longa demais), é uma música bastante agradável e empolgante. 

“Just Like Vince Taylor” reflete a popularidade de Taylor na Europa. Tá certo que é um som um pouco clichê e traz uma interpretação bastante europeia ao estilo R&B britânico. A princípio foi outra faixa que não curti, achei meio inautêntica e datada, mas com o tempo percebi o seu próprio brilho e charme europeu. Hoje considero uma ótima canção. 

“The Vanilla Queen” é a música que fecha o disco e também a mais progressiva delas. Encharcada de sintetizadores, letras fantasiosas, às vezes umas batida selvagem, introdução infecciosa, vocais apaixonados, refrão cativante, inclusive o refrão é também muito empolgante, do tipo que dá vontade de sempre cantar junto. Uma daquelas músicas que não devem apenas ser conhecida por amantes do rock 70’s, mas também reverenciada. O disco não poderia encerrar de maneira melhor. 

Moontan sem dúvida alguma é um ótimo disco, mas muitas vezes escondido e esquecido em meio a aquele período tão prolífico em termos de obras maravilhosas, com certeza merecia ser mais conhecido, principalmente por aqueles que cultuam o rock 70’s. Embora a placa com o nome da Golden Earring não seja levantada com regularidade, em seus quase 60 anos de estrada, muitas coisas boa foram lançadas, e para muitos, Moontan foi a melhor delas. Mas independente de ser ou não o melhor disco, certamente é um ótimo ponto de partida para descobrir a discografia de uma banda muito subestimada. Indispensável para quem gosta de hard rock no seu período mais clássico.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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