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Resenha: The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars (1972)

Álbum de David Bowie

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O mais influente disco de David Bowie

Autor: Tiago Meneses

06/03/2020

Antigamente mesmo conhecendo pouca coisa de David Bowie, eu falava não curtir nada do “camaleão”. Mas com um tempo e mesmo a contra gosto, entrando mais a fundo na sua discografia, conheci talvez o artista mais eclético da história da música, sendo difícil não gostar nem que seja de alguma de suas fases. No meu caso, gostei de algumas. 

The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars é certamente uma das obras mais significativas de Bowie (pra a mais delas). O disco possui uma sensação de registro ao vivo, algo que se deve aparentemente pelo fato de ter sido gravado em apenas umas três ou quatro tomadas, deixando-o com um resultado bastante enérgico. É possível encontrar elementos progressivos aqui e ali, algo como fórmula de compasso, progressões de acordes e alguns efeitos. Mas a música também muitas vezes é um pop focado mais nas ótimas letras e na presença de palco que Bowie faria nas apresentações. Todos os músicos tem uma química e usam de timbres excepcionais. A gravação também ficou fantástica. 

“Five Years”, faixa que abre o disco, é um tema meio apocalíptico pra uma música pop, uma espécie de “Crime of the Century” do Supertramp, só que mais acessível. As letras e apresentação vocal de Bowie são ótimas. A música cresce cada vez que se aproxima mais do final. As progressões de acordes ajudam a fazer dessa faixa uma obra de formato excelente. 

“Soul Love” possui um canto muito empático sobre um clímax emocional sempre em construção. Juntamente com uma fórmula de compasso em um tempo ímpar ao longo dos versos e uma bela inclusão de um solo de saxofone. Bowie produz uma música com muito frescor e essencial para o álbum. 

“Moonage Daydream” já mostra um lado mais primitivo e até mesmo sexual da voz de Bowie. Os solos de guitarra são bem básicos, porém, sem deixar de ser eficaz, sempre em um tom suavemente distorcido. As melodias e solos de saxofone são extremamente cativantes. Efeitos brilhantes são usados por toda a parte dando uma sensação na música diferente de qualquer outra coisa. 

“Starman” é de longe a música mais conhecida do álbum (ao menos se falarmos de Brasil). Começa em um contraste com a faixa anterior, com alguns acordes muito bons e progressão interessante.  Algumas melodias fantásticas e um som de piano muito bem direcionado fazem desta uma faixa fabulosa e incrivelmente consistente. 

“It Ain't Easy” é uma faixa em que dizem que houve a participação de Rick Wakeman, mas nunca foi confirmado. Possui um ritmo mais lento, ótimas guitarras que produzem um excelente timbre e que casam muito bem com o vocal de Bowie. Possui alguns cantores gospel apoiando Bowie e fazem com que a música fique mais exuberante no refrão. 

“Lady Stardust” é mais uma faixa relativamente descontraída, com letras muito fluidas e significativas. Os acordas são, como na maioria do álbum, bastante básicos, ainda que, ocasionalmente, surgem em um território mais audacioso, mas de maneira sutil. Novamente os vocais estão ótimos.

“Star” é uma música mais dinâmica, com um trabalho de piano bastante alegre e acordes de guitarra que vão complementando-se de maneira brilhante. Tanto letra quanto a entrega vocal também são excelentes, assim como algumas ótimas harmonias. Tudo continua impecável no disco. 

“Hang On To Yourself” é uma das minhas músicas favoritas do Bowie. Não sei nem explicar exatamente o motivo, mas adoro a sensação que ela transmite no trabalho de guitarra, na bateria empolgante e até mesmo nas suas letras sem sentido (ao menos eu o desconheço). O certo é que tudo soa maravilhosamente bem e cativante. 

“Ziggy Stardust”, eu acho que por ser a faixa título e falar sobre o personagem principal, é no mínimo estranho que esteja quase no final do disco. Mas deixando isso de lado, novamente há uma progressão e técnicas de acordes que são bastante empolgantes, e que são empregadas de maneira consistente o tempo todo. A banda funciona muito bem em conjunto e obviamente que isso é essencial para o álbum. 

“Suffragette City” é outra das minhas músicas favoritas de todo o repertório do Bowie. Tudo nela é sublime, as progressões de acordes, as harmonias, a história, as letras e até mesmo a sexualidade que eu acho que sempre cai bem em uma letra de rock and roll. É extremamente ousada e agita-se em um ritmo constante, algo que a torna empolgante do começo ao fim. Uma verdadeira joia musical. 

“Rock 'n' Roll Suicide” se encaixa perfeitamente no álbum em um contraste com a faixa anterior. Acho que não poderia haver uma música melhor de encerramento. A letra e a apresentação geral são bastante poderosas, a guitarra se constrói em meio a vários edifícios de instrumentos de corda, magnificas e atraentes progressões de acordes fazem o ouvinte sentir uma grande empatia pelo conceito fictício do disco. 

Esse é aquele tipo de disco que tem a capacidade de cair no agrado de qualquer pessoa. Dentro de uma vasta discografia, certamente que esse não é apenas o seu álbum mais conhecido, mas também o mais influente. Obra-prima.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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