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Resenha: Belus (2010)

Álbum de Burzum

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Após uma década de silêncio...

Por: Vitor Sobreira

04/03/2020

Depois de um vácuo de tempo que durou uma década, após ‘Hliðskjálf’ (1999) – o segundo e último trabalho concebido no período de encarceramento do polêmico Varg Vikernes -, foi apenas no ano de 2010 que fãs e desacreditados ao legado do Burzum, foram pegos de surpresa com o anúncio de ‘Belus’, o seu então sétimo full length.

Lançado em março daquele ano (será que vamos ter edição especial e comemorativa de dez anos do lançamento, com um isqueirinho de brinde?) pela Byelobog Productions – de propriedade do próprio Varg e sua esposa Marie -, o trabalho conta com oito composições de diferentes tempos de duração, além de uma bonita e simples fotografia de capa, apresentando um novo logotipo.

Além de ter cuidado de todos os vocais, instrumentos e letras, Varg  também se preocupou em tomar a frente da produção e parte da mixagem, bem como da citada capa. Assim, como de costume, não espere por um resultado final primoroso, mas sim aceitável e condizente com a proposta de exclusivamente expressar sua música.

Em “Leukes Renkespill (Introduksjon)” tem-se a impressão de que alguém está brincando com uma bolinha de metal, a fazendo repicar em uma superfície de vidro… Não sei que diabos de introdução é essa. Entretanto, o horizonte fica nublado com “Belus’ Dod”, que sim, apesar do som abafado e cadenciado, as coisas funcionam melhor do que o esperado, ainda que com o fantasma da repetição constante em seu encalço. Confesso que fazia anos que eu não ouvia este álbum, e depois de todo esse tempo, a audição está curiosa, pois não me lembrava de nada!

Não sei se foi proposital, mas ‘Belus’ parece ter saído de algum porão dos anos 90, já que a quase todo instante nos transmite essa impressão, e “Glemselens Elv” é mais uma prova disso, trazendo boas melodias, um baixo bem na cara e uma considerável diversidade. Assim como a anterior, alguns vocais limpos e quase ritualísticos foram inseridos com tamanha sensibilidade, que a faixa finalmente nos desperta a atenção ao trabalho – que poderia ter começado aqui. Entretanto, não carecia ter chegado aos quase 12 minutos de duração…

Como uma turba grotesca de invasores vikings, “Kaimadalthas’ Nedstigning” chega com tudo, empregando uma inacreditável (em termos de Burzum) velocidade “Total Black Fucking Metal”, que com uma qualidade de produção melhor, para valorizar os detalhes, soaria ainda melhor. Enquanto isso, o Metal vigoroso é mantido na curta “Sverddans”, entretanto com uma pegada mais voltada ao Speed (é, eu também achei estranho usar esse termo…).

De volta ao Black Metal tradicional, “Keliohesten” também não deixa os ânimos se esfriarem e faz com que o ouvinte se pergunte o porque de o encrenqueiro ter demorado mais de dez anos para lançar um álbum como este. As rédeas são puxadas na “Morgenrode”, que apesar de se arrastar repetitivamente por mais de oito minutos, tem sim alguns bons momentos (que foram usados a exaustão). A faixa deságua no encerramento instrumental “Belus’ Tilbakekomst (Konklusjon)”, quem mantém o mesmo esquema da maldita e maçante repetição, em tom quase Ambient.

Creio que deixei claro no texto, que algumas composições foram feitas para se ouvir uma única (ou duas) vezes na vida, enquanto que outras terão passe livre na playlist de agora em diante. Enfim, nada mal para um recomeço!

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