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Resenha: Quickly Quickly Quickly (2012)

Álbum de The Tea Club

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Um disco de musicalidade magnífica e composições hábeis

Autor: Tiago Meneses

04/03/2020

Esse disco é daqueles em que eu posso dizer que tudo nele é impressionante, desde as incríveis composições, musicalidade até a arte na capa que é belíssima e que só de olhá-la já dar vontade de descobrir o que há dentro daquele CD. A banda mistura de maneira sublime o rock progressivo moderno e o clássico. Tem uma combinação bastante clara entre a escola sinfônica e a mais pesada, pegando suas influências para criar algo verdadeiramente único e maduro. Cada uma das quatro músicas deste álbum é de uma qualidade incrível, cada uma repleta de nuances bastante sutis e belas melodias, apoiadas ainda pela ótima produção que conta com instrumentais que se misturam de tal forma que cada um deles permanece distinto, além de proporcionar uma incrível atmosfera. 

O álbum começa com "Firebears", um épico de quase dezoito minutos que é simplesmente impressionante. Após uma introdução frenética em que a banda ataca com violência e intensidade o ouvinte por cerca de dois minutos, os vocais se juntam. A mistura musical é bastante ampla e incluem influências em King Crimson, Yes, Van der Graaf Generator e até Radiohead, tudo feito com extrema delicadeza onde nada parece fora do lugar. A dissonância maravilhosa entre voz, teclas e guitarra é de tirar o fôlego, enquanto Charles Batdorf no baixo e especialmente Joe Rizzolo na bateria, são os responsáveis por colar todos os esforços individuais. Um começo de disco simplesmente incrível.

“The Eternal German Infant” já se mostra ser um pouco diferente, mesmo quando eles não perdem o fascínio pelas dissonâncias, a música tende a ser mais melódica e dramática. Em algumas partes, lembra Derek Shulman em Advent of Panurgis, mas com uma grande diferença, enquanto o Gentle Giant parece buscar a complexidade como seu objetivo final, criando um divórcio entre os vocais e os sons aleatórios que eles criam com os instrumentos, a música do The Tea Club se torna complexa quando exigida pela sua evolução natural, com uma sincronicidade perfeita entre o vocalista e o resto da banda.

“Mister Freeze” mostra que quando pensamos que não poderia haver mais surpresa no álbum, elas aparecem novamente. Enquanto os vocais em uma atmosfera quase depressiva são aprimorados por um violão e teclado, um violão de fundo leva a música em um clima que lembra algo já feito pelo Genesis. Uma música aparentemente simples, mas se você prestar bem atenção notará inúmeras variações extremamente delicadas. Aquele tipo de som que é uma delícia de ouvir. 

“I Shall Consume Everything” e á faixa que encerra o disco de maneira brilhante. Mas é aquele som em que o ouvinte precisa estar pronto porque as mudanças são constantes e radicais, levando o ouvinte de um violão suave e flauta amena à seções frenéticas onde a banda ataca com artilharia pesada, criando uma intensa colisão de sons e humores do tipo que um bom fã de rock progressivo como eu, particularmente adora. Em segundos a banda nos leva de uma calma e paz à agressão e angústia. Em poucas palavras, eles tem uma capacidade incrível de transmitir sentimentos forte, algo que sempre achei bastante louvável em uma banda. O álbum todo é fantástico, mas essa música ainda consegue sobressair em relação as demais. 

Um disco de apenas quatro faixas pode criar certa preocupação antes de ouvi-lo, podemos pensar que existem muitos momentos arrastados demais em suas músicas, mas em Quickly, Quickly, Quickly nada é estendido além do que é de bom gosto. Cada uma das quatro músicas é incrível, cheia de sutilezas e nuances. Um disco de musicalidade magnífica e composições hábeis, além de uma mente lírica brilhante e som moderno sem esquecer onde estão as suas raízes.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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