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Resenha: Liquid Tension Experiment (1998)

Álbum de Liquid Tension Experiment

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A estreia do quarteto fantástico!

Autor: Márcio Chagas

01/03/2020

Foi no final da década de 90 que o irrequieto Mike Portnoy foi convidado por Peter Morticelli, chefão da gravado Magna Carta, a montar um projeto instrumental com músicos que ele achava talentosos e extraordinários.

Inicialmente o baterista convidou Tony Levin, por todo seu histórico ao lado de bandas como King Crimson, Peter Gabriel e outras. Para os teclados, Mike lembrou de Jordan Rudess, músico que havia visto em uma turnê com o Dixie Dregs de Steve Morse e  integrava uma projeto ao lado do baterista daquele grupo, o Rudess/Morgestein Projet. Na época o tecladista não fazia parte do Dream Theater. Foi difícil conseguir um guitarrista, pois todos que eram convidados estavam realizando shows ou em estúdio, para a frustração de Mike. Foi quando sua esposa sugeriu que chamasse seu parceiro de Dream Theater, John Petrucci, pela identificação musical de ambos. 

Com o grupo devidamente formado, os músicos resolveram que iriam compor, ensaiar e gravar o álbum em apenas uma semana. Segundo Portnoy, tal iniciativa tinha como objetivo não perder a espontaneidade e o clima de Jam session que o grupo apreciava e não haver conflito de agenda dos músicos. Então o disco foi gravado entre 20 e 25 de setembro de 1997, em clima de despojamento total, sem qualquer pressão.

Musicalmente, o grupo pratica um rock instrumental influenciado por jazz, fusion, progressivo, hevay metal e até ritmos latinos e exóticos. É perceptível passagens intrincadas que remetem ao Dream Theater e outras mais sincopadas que lembram o King Crimson. O ouvinte mais atento vai perceber ecos de Dixie Dregs e o lado instrumental de Frank Zappa, tudo envolto em um mesmo caldeirão sonoroe com adição de outras influências.

"Paradigm Shift"Já chega com tudo,  “metendo o pé na porta” com sua guitarra pesada, bateria intrincada e Tony Levin utilizando os funk fingers* para imprimir um groove naquele e peso todo. Essa canção é uma das mais conhecidas do projeto, sendo tocada posteriormente pelo próprio Dream Theater.

Outros destaques ficam por conta de “Universal Mind” onde Jordan utiliza o piano para dar sustentação a guitarra de Petrucci, alternando belos solos que combinam peso e harmonia; A melódica “State of Grace”, uma balada passional gravada por Petrucci e Rudess, digna de figurar em qualquer álbum de rock progressivo como Arena ou Pink Floyd; e a cadenciada ‘Freedom of Speech”, onde Tony Levin executa seu Stick bass com muita propriedade, formando uma cozinha coesa com Mike, que executa passagens diferentes e intrincadas em sua bateria.

A ultima faixa "Three Minute Warning" que é dividida em cinco partes e tem mais de trinta minutos é uma ótima sugestão para o ouvinte notar todas as influencias do quarteto, com espaço para cada musico se destacar plenamente.

“Liquid Tension Experiment” o álbum, é uma viagem musical que passeia por diversos estilos, englobando todas as influências de músicos fantásticos e composições que embora sejam técnicas, possuem elementos estruturais de canções e não apenas mero exibicionismo musical. 

O clima de Jam session  não atrapalhou a concepção das canções, ao contrario, o ambiente despojado ajudou ainda mais na integração entre os músicos, que com exceção da dupla Petrucci/Portnoy, nunca haviam tocado juntos antes.

O disco foi  lançado em março de 1998 e foi um dos álbuns mais vendidos pela gravadora Magna Carta, fato que motivou a incentivarem o projeto a gravar futuros trabalhos.

*Funk Fingers: São Varetas acopladas nos dedos de Tony Levin, que as utiliza como baquetas, criando uma clima percussivo e diferente no contrabaixo.


Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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