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Resenha: Gravity (2003)

Álbum de Anekdoten

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Um lado mais alternativo e sensível da banda

Autor: Tiago Meneses

29/02/2020

Uma mudança logo de cara que se pode dizer que ocorreu em Gravity é que Anna não toca mais violoncelo, mas teclado, uma tecladista muito digna por sinal. Mas não tem como eu negar o quanto acho que um violoncelo pode dar um toque clássico à música progressiva.

Muitas pessoas parecem não gostar desse disco tanto quanto os três anteriores, os veem como um passo para trás, algo que eu não concordo. Na verdade, sem passo a frente e nem atrás, mas sim, diferente, se antes os ataques instrumentais influenciados pelo disco Red do King Crimson era eram maioria esmagadora, aqui as coisas fluem de uma maneira mais suave e atmosférica, apresentando às vezes um uso maior de guitarra e sons ambientais. Acho que esse disco embora não agrade alguns, possui uma variedade musical que resulta em um álbum emocionante e divertido de ouvir. 

“Monolith” é a faixa de abertura. Uma música melódica onde a seção rítmica oscila. O som delicado do vibrafone fornece às partes lentas alguns detalhes extras. O amplo tapete de mellotron enfeita a música com uma bela melodia. O disco começa com um dos seus momentos mais pesados. 

“Ricochet” é onde o ouvinte já pode ouvir que a música se tornou mais melódica, mais suave e não tão nervosa como, por exemplo, nos dois primeiros álbuns da banda. Esse tipo de guinada no som serve pra levar o som da banda para um publico mais amplo. Algo 100% Anekdoten e não Anekdoten com uma porcentagem de King Crimson. 

“The War Is Over” possui belos violões, percussão e vocais melódicos com várias vozes em camadas. Falando em vocais, eles certamente são um dos destaques desse disco, estão bons como nunca (até porque os vocais sempre foram um problema pra muita gente quando falamos de Anekdoten). 

“What Should But Did Not Die” é uma música lenta e de atmosfera bastante obscura. Os teclados geram um som de violoncelo (ao menos é isso que eu acho que ocorre). A seção do meio da música é mais dinâmica e pesada e possui um final emocionante. 

“SW4” tem um ritmo lento e sonoridade espacial. Certamente em todo o disco, para os fãs mais radicais dos três primeiros discos da banda, essa faixa é a que mais deve ser difícil de ouvir

“Gravity” é maravilhosa. Deliciosos e melódicos tapetes de mellotron, uma guitarra afiada e seção rítmica pulsante e cheia de vigor. O final da faixa também merece destaque, pois é extremamente bombástico e cheio de energia. 

“The Games We Play” tem um contraste enorme em relação ao término da faixa anterior. Uma música lenta e quase completamente acústica de atmosfera bastante espacial. Confesso que combinaria mais em um disco da Porcupine Tree. 

“Seljak” é a faixa que finaliza o disco. Uma música instrumental de começo acelerado. O mellotron está bem evidente novamente e o vibrafone também se faz bastante presente nessa faixa. Um fim de disco de peso bastante acentuado. 

Gravity certamente causou até mesmo uma estranheza na época do seu lançamento, mostrando a banda em uma abordagem mais suave do que tudo feito até então. Através de uma música menos nervosa, a banda abriu mais o seu poder de alcance e até mesmo aumentou a popularidade, tendo em vista que Gravity se tornou o seu álbum mais vendido e assim segue até hoje. Particularmente eu adoro esse disco, um lado mais alternativo e sensível da banda.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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