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Resenha: Highway To Hell (1979)

Álbum de AC/DC

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O legado de Bon Scott

Autor: Fábio Arthur

21/02/2020

A arte pode ser definida em várias maneiras. No caso dos discos, ainda mais por se tratar de aspectos inúmeros, como as melodias, letras, interpretações e beleza musical, pensando nisso, "Highway to Hell" tem de sobra. 

No mais, um conjunto de coisas são pertinentes a esse trabalho e que fazem dele uma obra intensa e fértil. Um dos primeiros pontos seriam as composições, muito boas, outro, a fase em que a banda havia sido aceita finalmente no mundo dos grandes, o que começou lá em 1978, um ano antes deste clássico. Por fim o falecimento de Bon Scott, que pegou todos de surpresa e justo em um momento de ascensão do grupo.

John "Mutt" Lange produziu a pérola. Ele é o cara quando se trata dessa veia meio rocker ou hard, que no caso permeia o disco em questão; além do blues logicamente.

Entre tantos detalhes importantes na elaboração e divulgação do trabalho, estão vários clássicos vindos e eternizados do mesmo, e a arte que fora alterada e acabou por ser essa que todos conhecemos como mais convidativa ao elemento rock and roll. Anteriormente, a capa seria com a foto do grupo em meio ao fogo e um braço de guitarra flamejante, o que teria sido lançado na Austrália em princípio. Então, a arte de capa com Angus e seus artefatos, os chifres e tudo o mais, acabou culminando com o título do álbum e revelou uma curiosidade sobre o trabalho em si. 

O disco foi todo gravado em Miami, nos USA, e você percebe uma abordagem muito limpa e digna nas timbragens, com também a bateria soando forte e com a definição de som bem à frente. No quesito voz, o saudoso Bon encarnou as faixas de forma surreal, o vocalista consegue perfeitamente se colocar nos momentos ásperos e também nas linhas mais calmas; dádiva de mestres.

O long play obteve sucesso, vídeos sob um palco dotado de luzes foram lançados de várias canções do disco e um VHS em Paris na França, com entrevistas e cenas externas do grupo, também foi colocado em disposição dos fãs. 

As faixas são supremas, com um conjunto bem forte de riffs e abordagens também já característica da banda. "Highway to Hell" inicia tudo de forma fenomenal, e que riff hein!? Em "Girls Got Rhythm" a coisa continua pegando fogo, em um balanço constante. "Walk All Over You" é mais longa e tem momentos de alternância rítmica; também suprema. "Touch too Much", mais Hard Rock impossível, e que refrão fundamental. "Shot Down in Flames" é tipicamente ACDC e "Get it Hot" casa perfeitamente entre a voz de Bon e os riffs exibidos nela. "If You Want Blood (You´ve Got It)", que anteriormente seria o título do disco ao vivo antecessor a este, acaba sendo promissora em um balanço profundo junto da voz de Scott. O final chega com o blues pesadão "Night Prowler", que gerou alguns problemas devido a fatos ocorridos de um doido que era fã do grupo e usou a letra para encadear sua loucura, só que a letra em questão fala sobre um cara que entra no quarto da namorada sorrateiramente para dormir com ela e não para maté-la; enfim, coisa de malucos alucinados e que de certa forma acabou trazendo mais falação sobre o grupo. 

Scott veio a falecer, deixando a banda em desilusão, mas, após um breve hiato eles voltaram com tudo, e esse disco tornou-se mais um marco na história mundial do rock.

Clássico absoluto!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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