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Resenha: Odyssey (1988)

Álbum de Yngwie Malmsteen

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Hard Rock Acessível e neoclássico!

Autor: Márcio Chagas

14/02/2020

Muitos adjetivos pejorativos podem ser usados para definir o sueco Yngwie Malmesteen e a credito que ele mereça cada um deles. Mas é inegável sua contribuição ao universo da guitarra. 

O músico havia balançado as estruturas musicais em 1984 com seu primeiro disco solo trazendo seu estilo denominado neoclássico, onde abusava de sua técnica exacerbada, sua velocidade nos solos e habilidade na construção de riffs e canções.

Porém, nos trabalhos seguintes o sueco começou a dar mais ênfase a canções, valorizando o grupo como um todo, elaborando composições com estrutura mais próxima do universo do rock pesado e adicionando mais vocais, se aproximando de seu maior herói, o inglês Richie Blackmore.

Portanto após dois grandes lançamentos o guitarrista reforma seu grupo mais uma vez, mantendo apenas o tecladista Jens Johansson, que fez história posteriormente no Stratovarius e seu irmão Anders Johansson, conhecido por integrar o Hammerfall. Para os vocais veio Joe Lynn Turner e o mítico Bob Daisley chegou a tempo de gravar seu baixo em quatro canções, uma vez que Malmsteen já havia registrado o instrumento nos demais temas.

Como era seu interesse se aproximar do hard rock mais comercial conforme havia feito Blackmore na segunda fase do Rainbow, fico imaginando sua alegria ao ter Turner ao seu lado como frontman do novo grupo. Musicalmente “Odyssey” é o trabalho mais hard do sueco, que soube trazer a consistência do estilo para suas canções sem descaracterizar seu jeito personalíssimo de tocar guitarra.

A abertura com a atrabiliária “Rising Force” mostra bem a integração do novo grupo criado pelo guitarrista, apresentando um riff forte criado sobre uma base sólida com solo veloz e ares barrocos imprimido pelo teclado fantástico de Jens.

Embora a abertura seja mais pesada, o álbum passeia tranquilamente por todas as nuances do hard em suas doze canções. Por gosto pessoal, destaco a grudenta e radiofônica  “Heaven Tonight”, quase um AOR, naquele estilo que Joe Lynn Turner adora; a bela balada "Dreaming (Tell Me)", com seus dedilhados e estrutura que lembra a clássica ‘Still Loving You” do Scorpions; e "Déjà Vu", outra pedrada hard com vocal passional e base irrepreensível.

Em se tratando de Malmsteen, o disco possui ainda boas faixas instrumentais, sendo "Krakatau" o destaque absoluto, com mais de sete minutos, e variações rítmicas e estruturais, como se Yngwie quisesse mostrar que poderia continuar fazendo um álbum neoclássico de qualidade se fosse essa sua intenção.

“Odyssey” foi um disco extremamente importante na carreira do guitarrista, primeiramente por ajudar a consolidar o conceito de grupo que o sueco tentava mostrar ao mercado (pelo menos naquela época), e também por ter ampliado a base de fãs do músico, transcendendo a barreira da comunidade guitarrística da época. 

O álbum ficou na 40º posição da Billboard, sendo esta sua melhor colocação e foi seguido por uma extensa turnê que passou por vários países ainda não visitados por Malmsteen, como a União Soviética, onde foi gravado o excelente “Trial By Fire: Live in Leningrad”, basicamente com a mesma formação do disco, apenas Barry Dunaway substituiu Dasley que não suportou o comportamento egocêntrico do líder.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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