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Resenha: More Than Meets The Eye (1992)

Álbum de Jadis

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Neo Prog elevado à enésima potência!

Autor: Márcio Chagas

13/02/2020

Os ingleses do Jadis levam o neo progressivo às ultimas consequências, adicionando altas doses de pop no som do grupo. Por este motivo, muitos ouvintes torcem o nariz para a banda liderada pelo guitarrista e vocalista Gary Chandler, o único a participar de todas as formações.

Neste álbum, o segundo do grupo, o líder é acompanhado pelo tecladista Martin Orford (IQ), pelo baterista  Steve Christey e tendo como convidado o baixista John Jowitt (IQ, Arena entre outros), que seria efetivado posteriormente.

Na verdade, utilizar uma sonoridade essencialmente pop dentro do universo progressivo primando sempre pelo bom gosto não é pra qualquer um, muitos mestres tentaram e não conseguiram resultado satisfatório, como é o caso de Steve Hackett só pra citar um nome.

Chandler realmente tem o dom de aliar harmonias mais acessíveis e diretas, com belos solos, dedilhados de guitarra, teclados utilizados de maneira comedida e uma base sólida e sem experimentações. Criando harmonias na medida certa para quem quer qualidade e simplicidade.

É perceptível influências da terceira fase do Rush, do Camel oitentista e de Pink Floyd fase “A Momentary Lapse of Reason”, além dos grandes nomes do neo prog, principalmente as bandas das quais participaram os membros do grupo.

A primeira música é um bom resumo do que pode se encontrar pelo disco: dedilhados guitarra na introdução, que posteriormente é substituído pelos solos cristalinos e bem acabados de Chandler e os teclados sinfônicos de Orford que são a base da sonoridade encontrada. Somente depois de três minutos somos contemplados com um jogo de vozes criadas pelo guitarrista que se mostra um excelente cantor. Uma canção com quase oito minutos e variações rítmicas diversas que dificilmente se encontrariam em uma banda comum de pop rock.

Outros destaques podem ser encontrados na semi balada “Wonderful World” e a lenta e progressiva faixa titulo com um trabalho de flauta belíssimo de Martin, que utiliza o instrumento como um contraponto para bases de guitarra e teclados. 

Mas se se você gosta mesmo é de um rock progressivo orientado por guitarras o melhor foi deixado pro final com “Holding Your Breath”, um tema instrumental soberbo de quase dez minutos,  com variações rítmicas, camas de teclados e base digna dos maiores medalhões do gênero.

O disco não é um clássico do estilo, mas é um excelente trabalho dentro da sonoridade proposta pelo grupo. E embora tenha sido lançado em 1992, o álbum já ganhou inúmeros relançamentos e edições especiais comemorativas, demostrando sua força dentro do universo prog.

Se você gosta de neo prog mais acessível o Jadis foi feito para você, caso não goste, “More Than Meets The Eye” é ideal para presentear aquele colega que está começando a se enveredar pela seara progressiva ou mesmo para ouvir no carro com sua namorada resistente a longas suítes sinfônicas.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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