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Resenha: Seven Churches (1985)

Álbum de Possessed

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O embrião do Death Metal

Autor: Fábio Arthur

10/02/2020

Não se pode negar que o Heavy Metal sugou tudo que tinha do Black Sabbath, sim, de fato isso é a maior verdade - não minha, mas da história da música -, Sabbath serviu de inspiração para letras, artes de capa, músicas de teor sombrio e algo meio diabólico em um contexto geral.

O Possessed veio daquela leva dos anos oitenta, em que as bandas queriam inovar, soar diferentes e ter um disco gravado por uma major. A coisa foi ficando pesada, vide Metallica, Venom e Slayer, e assim surgiam bandas de todos os lados e estilos. O Motörhead foi fonte de inspiração também; isso pelo seu som rápido - speed - e pesadão, agressivo mesmo. 

Diante de tudo isso, junto ao Death (banda extinta), o grupo criou o denominado Death Metal. mas aqui, o Possessed era ainda uma mescla absoluta entre Thrash, Death e letras obscuras. 

O nome do disco "Seven Churches" vem da Bíblia Sagrada, gerada do livro Revelações (Apocalipse) e se refere às Sete Igrejas da Ásia Menor. O álbum chegou em 1985, onde tantos outros estavam surgindo - como o Exodus - e onde milhares como Iron Maiden, Judas Priest e Saxon, estavam consagrados. 

Com um som de difícil assimilação e produção tosca de Randy Burns (o mago das banda de metal), a banda gerou esse petardo, forte, ríspido e praticamente ingênuo, sem um instrumental de bom grado. Mas, mesmo assim, o fator de ser novidade agradou a molecada cabeluda de jeans e fãs de Venom e aí coisa ficou profissional. 

Algumas bandas de impacto vieram um pouco depois na cola do Possessed, tais como Morbid Angel e Deicide. Se o Sabbath tinha deixado o público em polvorosa com a arte do primeiro disco, tanto fora com a feiticeira como dentro no gate fold com a cruz invertida, o Possessed apelava no nome e na arte também, o logo com a tal cruz invertida e mais alguns detalhes sombrios já davam a entender o que vinha no disco.

São mais ou menos 38 minutos de urros, riffs embolados e pesados, bateria fulminante e algumas faixas boas e outras nem tanto assim. Mas, como dito, vale como registro de época e o pioneirismo da coisa toda.

Em alguns destaques, temos a abertura com "The Exorcist", que foi tirada do filme clássico de horror de 1973 e de mesmo nome. Depois, vem a melhor faixa do álbum: "Pentagram". "Burning in Hell" também tem conteúdo, "Seven Churches a faixa-título é bem conduzida, "Satan´s Curse" é mais uma faixa digna do disco, "Holy Hell" é mais uma pedrada certeira e a faixa derradeira "Death Metal" também chama a atenção. 

Hoje não ouço mais esse disco. No passado, quando saiu aqui, em 1986, comprei na hora, ouvia direto, incomodando parentes e vizinhos. Hoje sei da importância desse material, mas a minha noção musical me impede de deixar rolar por inteiro mais do que duas faixas. Creio eu soar cansativo com o passar dos anos, mas para quem é fã e ainda não está calejado com a vertente, eu digo sinceramente que vale cada segundo.

Hail Metal!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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