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Resenha: Hot In The Shade (1989)

Álbum de Kiss

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Ainda bem quente

Autor: Vitor Sobreira

16/10/2017

O Kiss estava prestes a vencer outra década, totalmente marcada por reviravoltas, mas o que ninguém imaginava, é que este seria o último trabalho a contar com o saudoso Eric Carr nas baquetas, que faleceu cerca de dois anos após este lançamento, vítima de um câncer no coração. Mesmo que por um lado o trabalho possa atrair uma lembrança triste, por outro mostra a costumeira ousadia e qualidade do quarteto estadunidense.

O disco pode ser considerado soberbo, principalmente pelo número elevado de composições, que chegam ao total de 15, em quase 1 hora duração, e, sendo a banda uma "caixa de surpresas", 'Hot in the Shade' acabou sendo mais do que uma evolução natural do que foi feito em 'Crazy Nights', pois manteve um som poderoso, mais "sério" e menos "festeiro".

Como diferenciais, notamos a utilização de elementos "novos" para o Kiss, como vocais femininos de apoio e 'metais' na forte 'Silver Spoon', também podemos reparar em alguns arranjos de violão aqui e ali, na presença reduzida de teclados (mesmo que nunca tenham sido incorporados com muito exagero), e, sem contar também, que o nosso amigo Eugene cumpriu melhor suas obrigações vocais, cantando em 7 faixas (enquanto que Paul também cantou em 7, e para fechar as 15, Eric cantou em 1!). Para não deixar de fora o sensacional Bruce, sua performance foi sempre envolvente, mas seus solos saíram menos velozes aqui, mas nem por isso, menos marcantes. E, diga-se de passagem, todos, mais uma vez, mandaram muito com seus instrumentos e vocais!

Atingindo o certificado de 'Disco de Ouro", nota-se que todas as músicas são muito boas, mas é complicado agradar de todas elas em uma ou duas audições, e o tempo é essencial para seu melhor aproveitamento. Falando nisso, dê uma conferida: na direta 'Betrayed', 'Little Caesar', 'The Street Giveth & The Street Taketh Away', 'Love´s a Slap in the Face', na rápida 'Boomerang', e até mesmo na batida, porém, marcante balada 'Forever', apenas para sentir o que Kiss pôde nos oferecer com seus trabalhos nos anos 80.

Ainda que a capa seja "simples", a ideia de simular um cartão postal (bem canastrão, por sinal), com a famosa Esfinge do Egito usando óculos escuros, e, o logo e o título do trabalho dentro de um carimbo, ficou bem bacana!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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