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Resenha: Jurassic Shift (1993)

Álbum de Ozric Tentacles

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Apesar de músicas na mesma linha, não soa entediante

Autor: Tiago Meneses

05/02/2020

Tudo bem que quando vou falar sobre a Ozric Tentacle eu costumo falar de um grupo que parece ter sempre as mesmas ideias, sempre as reciclando, apesar de em alguns momentos soarem de fato originais. Em Jurassic Shift, apesar de ouvirmos sonoridades familiares, elas também se mostram muito bem reunidas, criando uma espécie de colagens brilhantes de ideias já usadas. Isso inicialmente pode soar até bastante negativo, mas não é bem por aí, apesar de tudo, Jurassic Shift tem algo a mais e consegue brilhar. A banda toca no seu estilo que já é muito conhecido pelos seus fãs. A mistura de new wave, rock psicodélico, progressivo, jazz e pop com utilização de muitos sintetizadores eletrônicos se desenvolve muito bem. 

“Sunhair” é a faixa de abertura. Possui um estilo bastante dinâmico com destaque principalmente para os trabalhos de guitarra e teclado. Flui de maneira linda em um estilo marcante e viajante em todos os seus segmentos. Um começo de disco excelente.

“Stretchy” possui solos viajantes de guitarra, complementado por solo de teclado. Ambos muito bem amparados por uma cozinha de linhas sólidas e muito bem fornecidas pelo baixo, percussão e bateria. A viagem segue agradável. 	

“Feng Shui” começa com um trabalho de flauta e efeitos de teclado em um clima espacial. Considero está uma boa música inclusive para uma trilha sonora de filme. A música então se move pra uma crescente marcada por um trabalho de bateria que flui naturalmente em batidas constantes. Mas o que mais torna essa música agradável são seus efeitos sonoros. Possui momento mais rock and roll na parte final, explorando muito bem o solo de guitarra e o trabalho de teclado. Resumindo, uma excelente faixa. 

“Half Light In Thillai” é uma música excelente e bastante suave. Certamente o momento mais espacial do disco até agora, alguns toques de influências indígenas e trabalho de flauta soberbo também ajudam bastante na construção de um clima de suspense. Uma viagem pura. 

“Jurassic Shift” é a faixa título, uma música entregue com linhas de baixo muito bem direcionadas e que aparecem em destaque em quase toda a faixa. Os efeitos sonoros fornecem uma bela melodia e que é aumentada através de um ótimo solo de flauta e preenchimentos de guitarra. A música contem muitas texturas do começo ao fim. No final da faixa há uma mudança de tempo pra uma levada mais rápida.  

“Pteranodon” começa com linhas de baixo pesadas e agudas, além de uma bateria sólida, nisso ambos vão suportando “gritos” de sintetizadores alienígenas. Um solo abrasador de guitarra elétrica abre o terceiro minuto de música antes de abandonar sua liderança para dar espaço novamente para as ejaculações de sintetizadores. Uma boa música, mas meio cansativa também. 

“Train Oasis” é a faixa mais curta do disco. Abre com uma ranhura que lembra um pouco a Pat Metheny Group. Possui solos criativos em vários níveis, além de boas progressões de acordes e construção de melodia. 

“Vita Voom” é a faixa que encerra o disco e abre com uma batida que defino como uma espécie de Punk/Techno. Alguns gritos de apavoro e amostras incidentais do teclado criam o clima da música. No começo do terceiro minuto quem brilha é a flauta. Em determinado ponto possui também uma guitarra com sabor espanhol. 

Embora a banda entregue um disco de músicas instrumentais basicamente na mesma linha, não as considero entediantes. A banda fornece texturas suficientes para impedir que você fique entediado.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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