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Resenha: Love Gun (1977)

Álbum de Kiss

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Apertando o gatilho

Autor: Fábio Arthur

03/02/2020

Em 1977 o KISS já era grande, após o disco anterior "Destroyer", que continha algo experimental, o grupo voltou a fazer o que concebeu no começo de carreira, ou seja, o puro Rock & Roll.

O sexto disco do grupo de estúdio, "Love Gun", trouxe aquela pegada mais direta e bem rocker. O fato é que, em 77, o Punk já estava dando as cartas e assim o KiSS veio com poucos acordes, riffs rasgados, bateria reta e acabou caindo nas graças dos fãs, mais ainda. 

E esse disco é repleto de curiosidades, primeiro porque nesse álbum, a banda toda canta em alguma canção, o que outrora não ocorria. Depois, foi a última vez em que todos originais da banda gravaram e tocaram por completo em estúdio, já que nos discos sucessores os integrantes passaram a deixar de lado compromissos e por motivos inúmeros. Aqui também, nesse momento, as drogas e bebidas de Ace e Peter começaram a atrapalhar o grupo ao vivo e nos demais afazeres. Foi também nessa tour que o Japão abraçou de vez o grupo, além de que foi nessa empreitada que a voz de Stanley deu algum cansaço - vide os vídeos oficiais, e os não também - claramente o vocalista/compositor tem falhas, principalmente nas faixas novas. Isso obviamente no quesito shows, porque no estúdio Paul arrebentou com tudo. E também aqui foi o momento em que a banda mais vendeu, foram milhões somente nos EUA e fora os discos de platina. Durante a gravação de sua voz - solo - no disco, Ace cantou deitado no piso do estúdio, para alcançar notas mais difíceis. Paul gravou o baixo na faixa-título e Eddie Kramer - o produtor - fez as incursões de piano na canção "Christine Sixteen", uma das mais diferenciadas do trabalho e que destoa um pouco do restante, mas ainda assim ela virou single e rendeu bem. 

Curiosidades à parte, a banda trouxe um vigor extremo, as canções fluem mesmo não sendo hits e mesmo assim contagiam. Para arte do álbum a banda como sempre trouxe suas faces, em meio a colunas de um templo com mulheres aos seus pés; uma arte belíssima. 

E o disco tem canções ótimas, como a abertura de "I' Stole your Love" (que o Helloween gravou anos depois); "Got Love For Sale", bem puxada; "Shock Me" de Ace, ótima por sinal; "Love Gun", clássica sem dúvida; "Hooligan" de Criss e com uma letra sobre si mesmo em tempos de bairro barra pesada nós EUA; "Plaster Caster", homenagem e baseada na vida de Cynthia Plaster Caster, artista e groupie que fazia molde dos órgãos sexuais dos músicos de bandas de rock (entre eles estavam Plant e Hendrix). Por fim, "Then She Kissed Me" é uma cover e que coube exatamente bem na voz de Stanley. Ainda temos mais faixas, mas estas são as mais envolventes do álbum. 

Gosto dessa fase do grupo e esse realmente foi o último suspiro do KISS antigo, sendo que depois eles mudariam muito em sua proposta.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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