Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Bitches Brew (1970)

Álbum de Miles Davis

Acessos: 377


Experimentalismo de um gênio

Autor: Fábio Arthur

28/01/2020

Esse álbum é conhecido como a um dos mais influentes e importantes discos de Jazz; aqui o experimentalismo marcante de Miles é enormemente inserido de forma em que a audição se torna algo viajante.

Miles eletrificou até mesmo seu trompete em "Bitches Brew", o que gerou uma nova dimensão sonora. O long play começou a ser gravado em 69, mas acabou saindo no ano seguinte pela Columbia Records. 

No mesmo ano de seu lançamento, Miles foi atração por meia hora no grande festival "Isle of Wright" e que culminou com uma apresentação digna e sólida. Hoje você encontra o mini concerto no YouTube ou no DVD oficial do festival, que contou com 600 mil pessoas em seu total. No casting do mesmo estavam The Doors, Jethro Tull, Caetano Veloso (que se encontrava no exílio), entre tantos outros artistas.

Miles, a partir desse clássico, reinventou sua música e a musicalidade de tantos outros; pois de fato esse disco serviu de motivação e inspiração. 

A percussão fica latente em "Bitches Brew", sua presença dá a entonação perfeita para o mergulho musical de Davis, além do contra-baixo robusto em uma combinação arrepiante. Muitos não entenderam as notas foras e andamentos dispersos por vezes do álbum, mas isso realmente fora o que alavancou a essência do trabalho, culminando em uma junção altamente prodigiosa e fértil. Coisas de gênio!

São mais de noventa minutos e em vinil o mesmo tem quatro lados, sendo que a produção exorbitante de Teo Macero deixou fluir a trilha de forma a prender o ouvinte do começo ao fim, mesmo nas longas faixas como: "Pharao´s Dance", com seus vinte minutos, e a canção título que complementa quase trinta. Puro êxtase, na verdade. 

O título ácido do álbum trouxe uma arte muito apurada e fonte de reflexões e interpretações diversas.

Eu recomendo, mesmo para quem não tem contato próximo com a vertente.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: