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Resenha: MMXX (2020)

Álbum de Sons Of Apollo

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Titio Portnoy e os filhos de Apolo lançam um grande álbum!

Por: Márcio Chagas

23/01/2020

Quando o grupo foi criado em 2016, surgiram muitos comentários em torno de sua formação estelar. Para alguns era um supergrupo que surgia para nos presentear com clássicos absolutos, para outros, mais uma banda meia boca com o intuito de deixar Mike Portnoy em evidência. Alguns chegaram a dizer que o grupo soaria como um cover do Dream Theater e sinceramente fui um dos que chegou a pensar nessa possibilidade.

Nem tanto nem tão pouco. O grupo lançou seu debut "Psychotic Symphony" em 2017, e acertou em cheio aos ouvidos de seus detratores mostrando muita competência na execução dos temas e na composição das canções. Porém, mostrou que, apesar de soar muito bem, carecia de certo amadurecimento. 

Essa maturidade musical viria somente após algum convívio entre os músicos na estrada para que pudessem interagir e entender melhor a dinâmica de cada membro.

Jeff Scott Sotto não é um vocalista de prog metal, mas possui um timbre extremamente versátil, capaz de se adaptar à sonoridade do grupo, os demais membros tem passagens por inúmeras bandas que vão do hard rock (Guns n Roses, Mr. Big) ao fusion (Niacin, Planet X), passando obviamente pelo metal, ou seja: muita experiência acumulada. Deste modo, o principal desafio da banda era conseguir misturar todas essas influências de maneira homogenia e criar uma sonoridade própria, já que o próprio Portnoy declarou que ele e Derek juntos tendem a soar como Dream Theater quando tocam juntos.

Acredito que a convivência nas turnês e maior interação de seus membros o grupo conseguiu aparar os excessos e amadurecer musicalmente chegando ao ponto desejado com este novo trabalho denominado simplesmente “MMXX”. Outro fato que deve ser levado em consideração é o tempo dos músicos em estúdio. Enquanto o álbum anterior foi gravado em apenas 10 dias, este segundo levou um tempo bem maior para ser finalizado, dando aos músicos mais tempo para trabalhar nas canções e lapidar a produção que ficou a cargo de Sherinian e Portnoy.

Talvez tenha sido um erro entregar a produção à dupla. Essa percepção é clara ouvindo a primeira faixa / single “Gooodbye Divinity”, com sua entrada longa e atmosférica, seguida por mudanças de andamento até a entrada do vocalista, que canta em cima do riff da guitarra, ou seja: Fica difícil não se lembrar de “Fallling to the Infinity”, álbum do Dream Theater gravado pelos dois músicos. Não que seja ruim, ao contrário, mas ao assumirem a produção, os músicos ficaram sem alguém para afastá-los da antiga banda que fizeram parte, uma vez que até os timbres dos teclados de Derek soam extremamente similares;

A faixa seguinte “Whiter to Black”, tem um pezinho no hard, com destaque para Soto, que traz uma interpretação irrepreensível. O vocalista é o grande responsável pelo álbum não soar demasiadamente como Dream Theater;

“Asphyxiation” tem um clima quase industrial nos timbre de Derek, compensado pela guitarra de Ron Thal. Aliás, o guitarrista está muito mais conectado ao tecladista, conseguindo uma integração muito parecida com o que faz o ...Dream Theater!

A semi balada “Desolate July” é um dos destaques do disco. Foi inspirada no acidente ocorrido com o Adrenaline Mob e que vitimou o baixista David Z. O Destaque mais uma vez é a interpretação passional de Soto, que imprime uma forte carga emocional em seus vocais, amparada pela guitarra bem timbrada de Ron;

“King of Desilusion” se inicia com um piano melódico, meio circense para descambar em um riff thrash metal com a bateria pesada de portnoy. Soto emenda um vocal mais rasgado combinando perfeitamente com a melodia. As partes de voz e piano lembram novamente a antiga banda de Portnoy, com uma pequena vantagem de Sherinian conseguir introduzir mais partes de piano, principalmente antes do solo de Bumblefoot;

E falando no baterista, na próxima faixa “Fall to Ascend”, o músico traz à tona suas influencias mais pesadas no melhor estilo Dave  Lombardo, abrindo a canção com sua bateria atrabiliária. Sua base firme com bumbos duplos e refrão com pegada hard deve funcionar muito bem ao vivo. O solo dinâmico, acelerado e bem elaborado de Ron é um show à parte. Conforme já disse, o guitarrista está bem mais à vontade pra duelar com Derek de igual pra igual, mostrando muita versatilidade no instrumento;

A penúltima canção é “Resurrection Day”, é uma das minhas favoritas do álbum, é um heavy tradicional, calcado nas grandes bandas clássicas do estilo, com a banda toda soando muito coesa, com destaque aqui para o solo de Billy Sheehan, com seu baixo pulsante. O musico é destaque em todo o álbum, mas joga pro time sem firulas. É isso que o torna um dos melhores baixistas de rock da atualidade. Sua performance no baixo de quatro cordas acaba com qualquer comentário de que é preciso um instrumento de 5  ou 6 cordas para conseguir peso;

O grupo nos reservou o melhor para o final: Uma suíte denominada “New World Today”, com mais de 16 minutos, onde o quinteto conseguiu misturar de forma mais homogenia todas as suas influências, trazendo ingredientes de todos os grupos pelos quais passaram seus respectivos músicos. Está tudo ali, grandes passagens instrumentais, riffs pesados, mudanças de andamento dignas do universo hard, partes épicas, improvisos, solos à vontade, referências a bandas como Rush e espaço para todos os integrantes se destacarem. 

De um modo geral,  o Sons of Apollo mostra evolução e a certeza que o grupo tem fôlego para lançar grandes álbuns. Porém, acho que se tivessem contratado um produtor de fora do grupo seria mais fácil se afastar de sombra do Dream Theater e buscar um direcionamento próprio. Nada que tire o brilho do disco, que já pode ser considerado um dos destaques de 2020.

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